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A decisão é da 1ª Vara Criminal da cidade, após investigação conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília.
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O novo processo envolve relatos de mais duas pacientes, que afirmam ter sido vítimas de toques, comentários e condutas de conotação sexual durante atendimentos psiquiátricos.
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Os relatos são semelhantes aos que embasam o primeiro processo, que já tramita na Justiça e levou à prisão preventiva do médico. Rafael está preso desde o dia 22 de outubro.
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No primeiro processo, que segue em andamento, o réu participou uma audiência no dia 21 de janeiro deste ano. A sessão ocorreu de forma virtual e foi a primeira do casa. O conteúdo não foi divulgado pela Justiça.
A decisão é da 1ª Vara Criminal da cidade, após investigação conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília.
O novo processo envolve relatos de mais duas pacientes, que afirmam ter sido vítimas de toques, comentários e condutas de conotação sexual durante atendimentos psiquiátricos.
Os relatos são semelhantes aos que embasam o primeiro processo, que já tramita na Justiça e levou à prisão preventiva do médico. Rafael está preso desde o dia 22 de outubro.
Primeiro processo
No primeiro processo, que segue em andamento, o réu participou uma audiência no dia 21 de janeiro deste ano. A sessão ocorreu de forma virtual e foi a primeira do casa. O conteúdo não foi divulgado pela Justiça.
Ainda nesse processo, o juiz determinou que o plano de saúde com o qual o psiquiatra mantinha contrato fornecesse informações sobre o número de profissionais disponíveis para atendimentos entre janeiro de 2024 e novembro de 2025.
A medida tem o objetivo de esclarecer o contexto dos atendimentos realizados pelo médico no período investigado.
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Rafael Pascon dos Santos, que atuava em uma clínica particular de Marília (SP) e no Caps de Garça (SP), foi preso na tarde de quarta-feira (22) — Foto: Reprodução/Facebook
Somando os dois processos nos quais Rafael é réu, são 32 denúncias contra o médico, incluindo casos de importunação sexual e estupro.
A TV TEM entrou em contato com a defesa de Rafael Pascon dos Santos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Prisão e indiciamento
Rafael foi preso preventivamente em 22 de outubro de 2025, em Marília, após diligências no consultório e na casa dele. O médico se apresentou à Delegacia de Marília acompanhado por advogados.
O inquérito foi concluído em 31 de outubro, com indiciamento por importunação sexual e estupro de vulnerável. No depoimento marcado para o mesmo dia, o médico permaneceu em silêncio.
O pedido de habeas corpus foi negado em 10 de novembro, e a Justiça também rejeitou a solicitação de revogação da prisão. Rafael segue preso na penitenciária de Gália (SP).
Mais de 30 denúncias
Rafael Pascon dos Santos atuava em uma clínica particular de Marília e no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Garça (SP).
Após as seis primeiras vítimas denunciarem o médico psiquiatra na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília, um registro foi feito por uma paciente que afirmar ter sido estuprada pelo profissional.
Em entrevista à TV TEM na época das denúncia, a vítima, que preferiu não se identificar, relatou que o abuso começou no começo da consulta, realizada no consultório particular do suspeito, em agosto de 2024, quando o médico a chamou de “gostosa”.
“Quando ele foi colocar meu nome na agenda, na recepção, ele me deu um abraço e sussurrou alguma coisa no meu ouvido que eu não entendi, me levou de volta para a sala dele e me estuprou. Eu realmente travei e fiquei em choque e com medo de fazer alguma coisa, porque estava de noite e o consultório estava vazio. Fiquei com muito medo”, relatou.
Além disso, alegou tentar esquecer o que aconteceu, mas, após as denúncias das seis vítimas, decidiu prestar depoimento também.
“É um pesadelo que parece que vivi. Por muito tempo eu me silenciei e tentei esquecer, mas uma mulher foi corajosa o suficiente para denunciar e fez com que tudo, infelizmente, voltasse à tona de novo para mim. Eu fui atrás de denunciar também para conseguir colocar, talvez, um fim em alguma parte disso.”
Ela afirmou que o profissional começou a ter comportamentos inapropriados, como abraços e gestos de intimidade, e que, em uma das consultas, chegou a segurá-la contra o corpo e a encostar a boca em seu pescoço para “inalar o seu perfume”.
Outra vítima de Garça registrou boletim de ocorrência na DDM no dia 17 de outubro, após a divulgação dos casos. A jovem, atualmente com 24 anos, disse à polícia que passou pelo atendimento no Caps em 2018, quando tinha 17 anos.
Segundo a delegada, a jovem não denunciou o caso na época por não entender a gravidade do fato, mas, ao perceber que existiam outras vítimas, resolveu procurar a polícia. O caso foi registrado como importunação sexual.
No relato, a jovem disse que a mãe costumava acompanhá-la nas consultas, mas, em uma ocasião, precisou iniciar o atendimento sem a presença dela. Nesse dia, segundo ela, o médico mudou o comportamento e começou a fazer perguntas íntimas e, ao final da consulta, a acompanhou até a porta e a puxou pelo punho e beijou o canto de sua boca.
Depois do ocorrido, a jovem ainda retornou duas vezes a consultas por conta da necessidade da medicação, uma delas com um amigo (e relatou que o médico ficou bastante incomodado com a presença dele), e depois apenas para retirada da receita do remédio.
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Vítimas relataram situações de importunação sexual envolvendo o médico psiquiatra em Marília — Foto: Reprodução/TV TEM


