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Fraude de R$ 108 milhões: ONG da produtora de ‘Dark Horse’ é alvo de operação em São Paulo

Operação Wi-Fi Livre apura suspeitas de fraude e uso de notas fiscais irregulares em contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo.

Por Agência Brasil – Publicado em 01/06/2026 às 14:37

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta segunda-feira (1º), a Operação Wi-Fi Livre. A ação tem como foco principal o Instituto Conhecer Brasil, uma organização não governamental (ONG) que pertence a Karina Ferreira da Gama. Karina também é proprietária da produtora Go UP, responsável pelo desenvolvimento do longa-metragem Dark Horse, produção audiovisual que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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A ONG é alvo de investigações que apuram supostas fraudes em um termo de colaboração milionário firmado com a Prefeitura de São Paulo. O acordo, orçado em R$ 108 milhões, previa a implementação de uma rede de internet sem fio gratuita voltada para moradores de comunidades vulneráveis da capital paulista. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil identificaram indícios de irregularidades tanto no processo de escolha da entidade quanto na execução prática das metas contratuais.

Pelo plano de trabalho original, o Instituto Conhecer Brasil deveria instalar 5 mil pontos públicos de conexão nas periferias de São Paulo em um intervalo de 12 meses. Contudo, as auditorias dos órgãos de controle apontam que apenas 3.200 pontos foram ativados até o momento. Além do atraso no cronograma, a ONG teria apresentado R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares junto à administração municipal para tentar justificar os repasses financeiros e obter as prestações de contas.

Mandados e repercussão política do caso

Agentes da Polícia Civil cumpriram oito mandados de busca e apreensão com o objetivo de reter documentos físicos, arquivos digitais, mídias eletrônicas e registros de movimentações financeiras. Embora o instituto de Karina da Gama concentre as buscas, as diligências se estenderam a empresas subcontratadas. Policiais também recolheram cópias de contratos, termos aditivos e relatórios de auditoria interna diretamente em secretarias da Prefeitura de São Paulo.

O desdobramento policial repercutiu no cenário político nacional. O senador Flávio Bolsonaro, responsável por articular a captação de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro para viabilizar o filme Dark Horse, pronunciou-se oficialmente sobre o caso durante uma agenda pública no Rio de Janeiro. Em declaração à imprensa, o parlamentar minimizou as associações e garantiu de forma enfática que a apuração policial paulista não possui qualquer tipo de vínculo com o documentário biográfico.

Em posicionamento oficial, a Prefeitura de São Paulo divulgou uma nota pública em que repudia especulações sobre supostos desvios de verbas do erário. O governo municipal defendeu a lisura do processo de parceria, assegurando que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil observou de maneira rígida os preceitos de legalidade, transparência e eficiência econômica. A gestão paulistana informou ainda que está colaborando de forma irrestrita com o fornecimento de dados para as autoridades de segurança.

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