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Planalto reage a Trump e diz que Brasil define como combate o crime organizado

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Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (29), o governo federal criticou a investida da família Bolsonaro junto a Donald Trump para rotular facções nacionais como terroristas. O Executivo alertou que medidas unilaterais de Washington configuram “intervenção estrangeira” e podem sabotar o sistema financeiro nacional, incluindo o Pix.

Por Lucas Pordeus León — Agência Brasil – Publicado em 29 de maio de 2026 às 14:42

O Palácio do Planalto subiu o tom nesta sexta-feira (29) e afirmou categoricamente que cabe exclusivamente aos brasileiros definir como o crime é classificado e combatido dentro das fronteiras nacionais. O posicionamento oficial do governo federal é uma reação direta à decisão dos Estados Unidos de passarem a classificar organizações narcotraficantes sul-americanas como entidades terroristas, uma medida que analistas apontam como um possível pretexto para intervenções externas.

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Na nota enviada à imprensa, o governo brasileiro criticou duramente a atuação política da família Bolsonaro, acusando-a de atuar como “falsos patriotas” e “traidores” ao tentar provocar a gestão de Donald Trump a interferir em assuntos de segurança interna do Brasil.

Alerta de riscos ao Pix e ao sistema financeiro

A principal preocupação manifestada pelo Executivo é de que a nova chancela jurídica adotada por Washington traga prejuízos severos para a economia brasileira, para o compartilhamento de dados de inteligência policial e para as inovações tecnológicas do país. De forma explícita, o Planalto apontou riscos diretos ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil.

O fator econômico na crise: Atualmente, os EUA conduzem investigações sobre o Pix sob a alegação de “concorrência desleal”, uma vez que a ferramenta brasileira prejudica comercialmente o faturamento de gigantes financeiras norte-americanas. “Medidas unilaterais, não negociadas, podem […] afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz o comunicado.

Lucro comercial não é terrorismo ideológico

Embora o governo reconheça expressamente no texto que o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, há uma distinção jurídica crucial que separa o Brasil da visão de Washington.

A diferenciação conceitual defendida pelo Planalto aponta que:

  • Facções nacionais: Buscam o domínio territorial focado estritamente no lucro financeiro por meio do tráfico de drogas e de armas;

  • Terrorismo internacional: É movido por motivações de caráter ideológico, político ou fundamentalismo religioso.

Misturar os dois conceitos, segundo o governo, enfraquece o combate real aos criminosos e coloca civis em risco. A nota pontua ainda que o país já possui ferramentas robustas próprias, como o programa “Brasil contra o Crime Organizado” e a recém-aprovada lei de combate às facções, que estipulou penas duras de até 80 anos de reclusão — a maior sanção penal existente na história da legislação brasileira.

Críticas à comitiva de Flávio Bolsonaro nos EUA

O estopim para o manifesto do Planalto foi a viagem oficial feita nesta semana pelo senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aos Estados Unidos. Em agenda com o presidente Donald Trump, o parlamentar solicitou formalmente à Casa Branca a rotulação dos grupos criminosos brasileiros como terroristas.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, disparou a nota da Presidência da República, concluindo que o debate sobre a segurança pública da população é sério demais para sofrer manipulações políticas de aliados de interesses externos.

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