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Imposto de Renda automático: Governo planeja fim da declaração manual em até três anos

O objetivo da medida é cruzar dados bancários, corporativos e de saúde diretamente nos sistemas da Receita Federal, transformando o preenchimento manual em um processo simples de validação.

Por Agência Brasil/Pedro Peduzzi – Publicado em 01/06/2026 às 14:45 – Foto – Lula Marques

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal trabalha com a meta de extinguir a necessidade de preenchimento manual da declaração do Imposto de Renda para os contribuintes brasileiros em um prazo de dois a três anos. A mudança estrutural faz parte de um pacote de modernização tecnológica focado em automatizar os procedimentos fiscais do país.

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A sinalização para o novo modelo já havia sido adiantada pelo ministro em março, ocasião em que solicitou formalmente à Receita Federal a criação de um ecossistema digital integrado. O sistema será encarregado de consolidar o histórico financeiro do cidadão de forma automática, eliminando o desgaste do preenchimento de formulários ano a ano.

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (1º) à Rádio CBN, Durigan defendeu que o avanço tecnológico do Fisco torna o processo atual obsoleto. Segundo o ministro, a Receita Federal já detém grande parte dos dados das obrigações diárias dos cidadãos, não havendo justificativa para exigir que o contribuinte gaste tempo de trabalho ou descanso para reenviar dados que o governo já possui. O plano da pasta prevê um alívio gradual nas obrigações acessórias já a partir do próximo calendário fiscal.

Integração de dados e a evolução da pré-preenchida

A diretriz enviada ao corpo técnico da Receita Federal prevê o cruzamento em tempo real de informações armazenadas em bancos de dados públicos e privados. O mecanismo vai unificar relatórios de instituições bancárias, folhas de pagamento de empresas e notas fiscais de planos de saúde e serviços médicos.

Com a consolidação total dessa malha de informações, o papel do contribuinte passará a ser estritamente passivo e focado em auditoria pessoal, limitando-se a revisar e validar a apuração feita pela inteligência do sistema oficial.

O formato planejado representa o ápice evolutivo da declaração pré-preenchida. A modalidade atual vem ganhando espaço no país e, conforme projeções do Fisco, deve atingir a marca de 60% de adesão entre os contribuintes. O governo aposta na alta informatização do sistema bancário e comercial brasileiro para viabilizar a transição sem ruídos.

Transição por etapas no modelo de arrecadação

No desenho atual do programa, a modalidade pré-preenchida já é capaz de puxar dados fiscais complexos, incluindo rendimentos salariais, evolução patrimonial de bens, investimentos financeiros e deduções legais. Contudo, devido ao fato de os dados serem alimentados por fontes terceiras (como operadoras de saúde e informes de rendimento corporativos), a Receita Federal ainda exige que o cidadão confira linha por linha antes de clicar no botão de envio.

A estratégia da equipe econômica foca em uma ampliação em larga escala desse escopo técnico. A meta é refinar o cruzamento de dados de ponta a ponta até que o ato de redigir e enviar a declaração seja completamente substituído pelo monitoramento digital contínuo da própria Receita Federal.

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