Durante encontro de turismo, conselheiros manifestam indignação com infraestrutura inadequada, horários inviáveis de voos e boicote de agências na venda de passagens com saída local.
Por Redação – Publicado em 02/06/2026 às 08:27
O que era para ser uma reunião de rotina do Conselho Municipal de Turismo (Comtur) de Marília, realizada na sede do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes, transformou-se em um palco de intensos debates e cobranças sobre a situação do Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich. O assunto, que sequer constava na pauta oficial do dia, tornou-se o tema central após um desabafo de Plautio Moron Zanni, representante do Aeroclube de Marília e porta-voz das atividades aéreas no conselho.
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O panorama apresentado chocou os integrantes do Comtur e gerou uma onda de manifestações unânimes sobre o impacto negativo que a precariedade do aeroporto impõe ao desenvolvimento econômico e turístico da cidade. O presidente do Comtur, Amilton Gomes da Silva, considerou legítimas as preocupações dos conselheiros e validou o debate, reconhecendo que a malha viária delicada afeta diretamente a atratividade do município de forma global.
Representando a Associação Comercial e de Inovação de Marília (Acim) junto ao conselho, Márcio Cavalca Medeiros alertou para o sucateamento progressivo das instalações físicas. Embora reconheça o tom de alerta máximo, o conselheiro destacou que o aeródromo corre risco real de interdição futura por abandono. Ele pontuou que os dias e horários operados pela única companhia aérea presente na comarca são inviáveis para o meio corporativo, além de criticar o fato de o destino se limitar exclusivamente a Campinas (Viracopos), sem conexões diretas com outros grandes eixos aeroportuários do país.
Afronta ao Setor: O secretário do Comtur, Ivan Evangelista Júnior, classificou como inadmissível a informação de que agências de viagens locais são desencorajadas a vender passagens com embarque em Marília, sendo orientadas a direcionar os clientes para a rodovia rumo ao aeroporto de Campinas.
Jogo de empurra trava investimentos na estrutura
A estagnação do aeroporto mariliense é fruto de um complexo imbróglio jurídico e administrativo que envolve quatro esferas: a empresa concessionária que administra o espaço, o Governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura de Marília e o Governo Federal. De acordo com os conselheiros, a falta de consenso e de investimentos práticos cria um cenário de isolamento aéreo para um município que se consolida como polo regional.
O presidente da Acim, Carlos Francisco Bitencourt Jorge, lamentou o atual “jogo de empurra” institucional, onde nenhuma das partes assume formalmente a responsabilidade de solucionar os problemas de infraestrutura e de atração de novas companhias aéreas. O dirigente defendeu que o tema seja fixado de forma permanente nas próximas agendas públicas de discussão econômica da cidade.
Na condição de vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Carlos Francisco sinalizou que pretende acionar a estrutura da federação paulista para rastrear os gargalos contratuais da concessão e cobrar providências urgentes que revertam o quadro de degradação do terminal de Marília.
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