Incertezas climáticas para o inverno e a primavera elevam a cautela no campo; apesar do recuo na intenção de plantio, indústria cervejeira mantém oferta de contratos estável.
Por Portal do Agronegócio – Publicado em 02/06/2026 às 09:06
A cultura da cevada deve enfrentar uma retração severa no Rio Grande do Sul durante a safra 2026. Dados divulgados no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar apontam que a área destinada ao cultivo do grão poderá recuar mais de 30% em comparação ao ciclo anterior. O principal motivo para esse recuo é o forte receio dos produtores rurais diante das previsões meteorológicas, que sinalizam a atuação do fenômeno El Niño nos próximos meses.
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A perspectiva de chuvas volumosas e acima da média histórica durante o inverno e a primavera acendeu o sinal de alerta no campo. Como consequência, muitos agricultores gaúchos optaram por reavaliar seus investimentos e adotar estratégias mais conservadoras para as culturas de inverno, reduzindo o espaço do cereal em suas propriedades.
A cevada é a matéria-prima base utilizada pela indústria cervejeira para a produção de malte. Trata-se de uma planta altamente sensível ao excesso de umidade do solo e da atmosfera em fases críticas de seu desenvolvimento, como o florescimento e a colheita. A alta pluviosidade pode provocar doenças fúngicas e comprometer a qualidade comercial do grão, inviabilizando a sua aceitação pelas maltarias e gerando prejuízos financeiros.
Balanço de Referência: No ciclo de 2025, o Rio Grande do Sul consolidou-se como o maior produtor nacional do cereal, com 32.010 hectares cultivados e uma produtividade média de 3.622 kg por hectare.
Desenvolvimento inicial favorável e cenário de mercado
Apesar do viés de baixa na área total a ser semeada no Estado, as lavouras que já foram implantadas apresentam excelentes condições no campo. Segundo os técnicos da Emater/RS-Ascar, o estabelecimento inicial do estande de plantas ocorre dentro do cronograma ideal, exibindo bom desenvolvimento vegetativo e sem o registro de pragas ou anomalias que ameacem o potencial produtivo até o momento.
No aspecto comercial, o mercado de grãos continua demandando o produto ativamente:
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Contratos Mantidos: As indústrias maltarias mantêm a oferta de contratos de integração e garantia de compra para assegurar o abastecimento do setor de bebidas.
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Preço Praticado: Na região de Erechim, um dos polos da cultura, a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 80,00.
Embora o valor pago ao produtor seja considerado atrativo pelas lideranças do setor, a rentabilidade projetada não tem sido suficiente para anular o medo do risco climático. Nas próximas semanas, os modelos meteorológicos de curto e médio prazo serão determinantes para ditar o comportamento final do agricultor. Caso as projeções de chuva excessiva se confirmem, a tendência de redução drástica na área da cevada gaúcha em 2026 deve se consolidar de forma definitiva.
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