Convocada pela CGTP, segunda paralisação geral em seis meses protesta contra projeto que altera mais de 100 artigos das leis laborais; governo de centro-direita minimiza impacto no setor privado
Por Sergio Goncalves e Miguel Pereira – Repórteres da Reuters – Publicado em 03 de junho de 2026, às 12:45 – Foto: Reuters/Pedro Nunes
Uma forte onda de protestos e paralisações afetou os principais serviços públicos e a infraestrutura de transportes em Portugal nesta quarta-feira (3). Convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) — a maior central sindical do país —, a segunda greve geral realizada em um intervalo de seis meses manifesta a rejeição dos trabalhadores aos planos de reforma trabalhista propostos pelo poder Executivo.
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O projeto de lei, desenhado pelo governo minoritário de centro-direita, visa alterar mais de 100 artigos do Código do Trabalho com o argumento de aumentar a produtividade e impulsionar o crescimento econômico do país. A matéria deve ser aprovada no Parlamento com o apoio do partido de extrema-direita Chega, após o colapso das rodadas de negociação com as frentes sindicais.
Trens Parados, Voos Cancelados e Cirurgias Adiadas
Os reflexos da paralisação nacional foram sentidos logo nas primeiras horas do dia por cidadãos e turistas:
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Transporte Ferroviário e Urbano: A empresa estatal CP suspendeu a circulação dos trens de longa distância e a maior parte das linhas regionais, enquanto o Metrô de Lisboa permaneceu totalmente fechado.
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Malha Aérea: A TAP, companhia aérea de bandeira de Portugal, informou que operaria apenas 79 de seus mais de 300 voos diários habituais. A espanhola Iberia também projetou uma redução de 50% a 75% em suas operações no país.
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Educação e Saúde: Escolas de todo o território português não abriram as portas devido à ausência de funcionários. Nos hospitais, a adesão em massa dos enfermeiros forçou o adiamento da maioria das consultas e cirurgias agendadas.
Precarização e Jornadas de 50 Horas Semanais
De acordo com o presidente da CGTP, Tiago Oliveira, o pacote de medidas legislativas representa uma severa ameaça ao consolidar o emprego precário, flexibilizar as demissões coletivas, desregulamentar horários de trabalho e limitar o direito de greve e a proteção à maternidade e paternidade. Os sindicatos alertam que o texto abre margem para que jovens trabalhadores fiquem presos a vínculos contratuais instáveis de forma permanente, além de viabilizar jornadas de 50 horas semanais sem o pagamento de horas extras — superando o limite padrão atual de 40 horas.
A reforma também prevê facilitar demissões em massa por justa causa, suspender os tetos para a contratação de mão de obra terceirizada e permitir que corporações neguem a reintegração de funcionários demitidos ilegalmente, mediante apenas o pagamento de uma indenização financeira.
Governo Minimiza Impactos na Economia
Por outro lado, a ministra do Trabalho de Portugal, Maria do Rosário Ramalho, buscou relativizar o alcance do movimento grevista. Segundo a chefe da pasta, a adesão por parte dos trabalhadores do setor privado — que superam os funcionários públicos na proporção de cinco para um e são o foco central das mudanças — foi considerada marginal.
“A esmagadora maioria dos trabalhadores está trabalhando, e a economia não parou”, declarou a ministra a jornalistas em Lisboa.
O atual cenário de braço de ferro evoca memórias de crises passadas: antes da rodada recente de paralisações iniciada em dezembro, Portugal não registrava uma greve geral desde 2013, época marcada por intensos protestos populares contra as políticas de austeridade fiscal.
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