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Copom avalia indicadores econômicos e decide sobre Selic; Câmara tenta votar fim da escala 6×1

Comitê do Banco Central inicia reunião de dois dias sob forte pressão inflacionária provocada por conflitos internacionais. No Congresso, líderes tentam destravar pauta e votar o limite de 40 horas semanais de trabalho.

Por Luciano Nascimento — Repórter da Agência Brasil – Publicado em 16/06/2026 – 08:46 Foto: Marcello Casal Jr

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia, nesta terça-feira (16), a sua tradicional reunião de dois dias para deliberar sobre o rumo da taxa básica de juros da economia, a Selic, que atualmente encontra-se no patamar de 14,5% ao ano. O colegiado comandado pela autoridade monetária passará as próximas horas analisando o comportamento dos indicadores econômicos nacionais e internacionais para anunciar a decisão final no fim da tarde de quarta-feira (17).

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Na última reunião oficial, realizada em abril, o comitê optou por um corte unânime de 0,25 ponto percentual na Selic. Foi a segunda redução consecutiva, porém em um ritmo mais lento do que o esperado anteriormente pelo mercado financeiro. Na ocasião, a ata justificou o tom mais conservador devido ao agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e às projeções de uma inflação doméstica mais persistente e prolongada.

Tensão Global e a Meta de Inflação

O Banco Central enfrenta um cenário desafiador para calibrar a taxa que baliza os empréstimos, financiamentos e investimentos no país. As incertezas em relação à condução da política econômica nos Estados Unidos somam-se à escalada da inflação no Brasil.

De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15), a projeção dos analistas de mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu pela 14ª semana consecutiva, alcançando o índice de 5,3% para este ano.

Meta Estourada: O número acende o sinal de alerta no BC porque ultrapassa o teto do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central estipulada é de 3%, permitindo uma oscilação entre o limite inferior de 1,5% e o teto superior de 4,5%.

Diante desse estouro na meta, os economistas ajustaram suas previsões para a Selic no fechamento de 2026, projetando a taxa terminal em 13,5% ao ano — uma leve melhora frente aos 13,75% estimados na semana anterior, mas ainda em patamar restritivo.

Brasília: Articulação para Votar Escala 6×1 e Destravar Plenário

Enquanto o Banco Central discute a macroeconomia, a temperatura política sobe na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma reunião emergencial do colégio de líderes para as 14h de hoje. O objetivo é alinhar a votação, ainda nesta semana, do Projeto de Lei (PL) 1838/26, enviado pelo Executivo, que extingue a escala de trabalho 6×1.

O projeto tranca a pauta de votações do plenário por tramitar em regime de urgência constitucional. Enquanto não for votado, os deputados ficam impedidos de deliberar sobre projetos de lei comuns. O texto fixa:

  • Jornada máxima de 40 horas semanais (reduzindo o limite atual de 44 horas);

  • Limite de 8 horas diárias de trabalho;

  • Garantia de dois descansos semanais remunerados consecutivos de 24 horas (escala 5×2).

O relator da proposta, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), deve construir seu parecer em total consonância com o texto da PEC sobre o mesmo tema, que foi aprovada pela Câmara no fim de maio e que atualmente aguarda votação no Senado Federal. A intenção de Motta é pacificar os pontos técnicos com as lideranças partidárias para limpar a pauta e liberar as votações na Câmara.

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