Durante chamada de 1h20, presidente brasileiro rebatou justificativas de novas tarifas norte-americanas, debateu cooperação contra o crime organizado e abordou a paz na Ucrânia e no Oriente Médio.
Por Agência Brasil — Publicado em 21/08/2026 – 16:18 – Foto: Reuters/Evelyn Hockstein
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma conversa telefônica na manhã desta sexta-feira (21) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo, que durou cerca de 1 hora e 20 minutos e foi classificado pelo Palácio do Planalto como cordial, teve como eixos centrais a retomada das negociações comerciais entre os dois países, o combate ao crime organizado e a busca por saídas diplomáticas para conflitos internacionais.
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Durante a ligação, Lula contestou diretamente a recente imposição de novas barreiras tarifárias contra produtos brasileiros por parte de Washington, classificando as alegações norte-americanas como infundadas.
Pauta comercial e segurança pública
O governo dos Estados Unidos havia justificado o “tarifaço” apontando questões como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, políticas de combate à corrupção, o sistema Pix, etanol e suspeitas de importação de itens produzidos com trabalho forçado. Lula enfatizou que essas tarifas afetam negativamente as economias de ambas as nações e reafirmou que o diálogo é o melhor caminho. Em resposta, Trump concordou com a relevância de preservar os laços comerciais e propôs um reencontro em breve entre as equipes diplomáticas dos dois países.
No âmbito da segurança, Lula defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral no enfrentamento a grupos criminosos. O presidente brasileiro destacou avanços recentes do país, como a Lei Antifacção, o sufocamento financeiro das organizações — que gerou apreensões de cerca de R$ 17 bilhões — e a instalação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Trump demonstrou disposição para reforçar a parceria e prometeu indicar autoridades de alto escalão para conduzir as tratativas.
Cenário internacional e reforma na ONU
A agenda internacional também ocupou lugar de destaque. Os líderes debateram a necessidade de negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia, além do panorama de segurança no Oriente Médio e as perspectivas americanas sobre o conflito com o Irã.
Lula voltou a criticar a inoperância do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendeu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão. “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, declarou o mandatário brasileiro.
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