Levantamento do Ministério da Saúde mostra que São Paulo concentra 37% dos diagnósticos da doença de Creutzfeldt-Jakob; condição é rara, atinge principalmente idosos e não tem relação com a variante da ‘vaca louca’.
Por Poliana Casemiro | Publicado em 02/10/2026 às 04h00 | Atualizado às 08h00
A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), condição neurodegenerativa rara que levou à morte o influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Música, foi confirmada em 547 pessoas no Brasil entre 2005 e 2021. No período de 17 anos analisado pelo Ministério da Saúde, foram recebidas 1.576 notificações de casos suspeitos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo que pouco mais de um terço teve o diagnóstico concluído.
As regiões Sul, Sudeste e Nordeste concentraram a maioria das confirmações. O estado de São Paulo lidera o número de registros, com 202 casos (37% do total nacional), seguido por Minas Gerais (57), Paraná (44), Rio de Janeiro (38) e Rio Grande do Sul (35). Juntos, esses cinco estados somam 376 diagnósticos, o equivalente a cerca de 69% das confirmações do país.
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Perfil dos Pacientes, Evolução e Diagnóstico
A DCJ atinge predominantemente a população idosa: a faixa etária de 55 a 74 anos respondeu por 60,2% das notificações, com média de idade de 66 anos. Trata-se de uma doença priônica, provocada por proteínas anormais que alteram o funcionamento das células cerebrais. A progressão é extremamente rápida e cerca de 90% dos pacientes morrem em até um ano após o surgimento dos primeiros sintomas. O Ministério da Saúde ressalta que nenhum caso registrado no país tem relação com a variante transmitida pelo consumo de carne bovina contaminada pela “doença da vaca louca”.
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Os sintomas iniciais — como perda de memória, alterações de comportamento e dificuldade de coordenação motora — podem ser confundidos com outras enfermidades neurológicas. Contudo, a rápida evolução diferencia a DCJ de quadros como o Alzheimer. O diagnóstico exige a combinação de análise clínica, ressonância magnética, eletroencefalograma e exames no líquido cefalorraquidiano. Especialistas destacam que a alta no volume de notificações ao longo dos anos reflete uma vigilância sanitária mais sensível, e não necessariamente um surto da condição.
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