HomeEducaçãoBrasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

Aproximação em relação à média da OCDE reflete mais a queda no desempenho de outros países do que avanços locais; especialistas apontam a matemática e a desigualdade socioeconômica como os maiores desafios do país.

Por Pedro Rafael Vilela / Agência Brasil — Publicado em 10/09/2026 às 08:02 – Foto: Rafa Neddermeyer

A redução da diferença entre a pontuação dos estudantes brasileiros e a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não indica necessariamente um avanço na qualidade do ensino no país. Conforme avaliam especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a aproximação ocorreu fundamentalmente porque o desempenho médio dos países-membros recuou, enquanto o Brasil manteve seus resultados relativamente estáveis.

Na edição de 2025, o Brasil alcançou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Na média de 23 países da OCDE, os desempenhos ficaram em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Como cada 20 pontos equivalem a aproximadamente um ano de escolaridade, os estudantes brasileiros continuam com uma defasagem estimada em cerca de 4,6 anos de estudo em matemática em relação aos pares de economias mais desenvolvidas.

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Média Baixa e Gargalos Estruturais

Especialistas em educação destacam que, embora o país tenha evitado retrocessos mais acentuados observados no cenário global pós-pandemia, a estabilidade ocorre em um nível preocupante:

  • Mínimos de Proficiência: Em matemática, apenas 28% dos alunos avaliados atingiram o nível 2, considerado o mínimo necessário para a resolução de problemas cotidianos.

  • Abismo Socioeconômico: Em ciências, a disparidade entre os 25% de estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis atinge 96 pontos — o equivalente a quase cinco anos de escolarização.

  • Extremos do Desempenho: O país concentra um volume expressivo de alunos abaixo do nível básico e quase não possui representantes nos níveis mais altos de proficiência.

Impacto das Tecnologias e Redução de Celulares

O levantamento contextual da pesquisa também revelou dados sobre o ambiente de sala de aula. A proporção de alunos brasileiros em escolas com restrições ao uso de celular passou de 37% em 2022 para 81% em 2025, alinhada com as diretrizes de redução de distração. Por outro lado, 46% dos alunos já utilizam Inteligência Artificial semanalmente para estudar.

Análises pedagógicas alertam que o aumento do acesso à tecnologia não garantiu ganho de aprendizagem, sobressaindo tendências como a “leitura apressada” e a urgência de fortalecer a capacidade crítica, a interpretação e o raciocínio autônomo dos estudantes.

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