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Manifestantes ocupam praças em Portugal contra explosão no custo de moradia e reajustes de aluguel

Protestos iniciados no Porto e na capital denunciam disparada de 41,5% nos preços dos imóveis; Justiça autorizou permanência do acampamento no centro de Lisboa até o fim de novembro.

Por Vitor Abdala (Agência Brasil) — Publicado em 03/11/2026 14:40

O aumento acentuado no custo de vida e a escalada descontrolada nos preços de compra e aluguel de imóveis em Portugal deflagraram uma onda de protestos de rua pelo país. A mobilização teve início há três semanas com a instalação de tendas na cidade do Porto e avançou para a Praça do Rossio, um dos pontos turísticos mais emblemáticos de Lisboa.

Apesar das operações da força policial para desmontar os acampamentos sob alegação de ocupação irregular de espaço público, os manifestantes remontaram a estrutura após cada investida. No último fim de semana, o Tribunal Administrativo de Lisboa emitiu uma liminar que autoriza formalmente a permanência da ocupação na Praça do Rossio até o dia 24 de novembro. A decisão gera apreensão entre comerciantes locais devido à proximidade da montagem do tradicional mercado de Natal na praça, previsto para 14 de novembro.

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A explosão no custo da habitação

Dados do portal Pordata, mantido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, revelam que o custo da habitação em Portugal disparou 41,5% entre 2020 e 2025. Trata-se do maior salto inflacionário do setor imobiliário em toda a União Europeia, superando a média do bloco (3,2%) e a segunda colocada, a Grécia (37,8%).

Um levantamento conjunto do Conselho Europeu com o Deutsche Bank aponta uma disparidade crítica na capital portuguesa:

  • Comprometimento de renda: O valor médio de aluguel de um imóvel em Lisboa equivale a 116% do salário médio local — a única das 22 capitais e metrópoles europeias pesquisadas onde a renda média é insuficiente para arcar com a moradia.

  • Teto recomendado: Entidades internacionais estipulam que o gasto com moradia não deve ultrapassar 30% dos rendimentos mensais.

A ativista brasileira e cidadã portuguesa Priscila Valadão, uma das porta-vozes do movimento, destaca a impossibilidade financeira vivenciada pelos trabalhadores:

“No centro de Lisboa, você não consegue encontrar um apartamento tipo loft, o T0, por menos de 1.500 euros, sendo que o salário mínimo é de 920 euros. É simplesmente impossível uma pessoa morar na cidade sem dividir espaço na periferia”, explica Priscila.

Dificuldades acrescidas para a comunidade brasileira

Com 493 mil cidadãos registrados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) — sem contar os imigrantes com dupla nacionalidade —, os brasileiros representam a maior comunidade estrangeira em Portugal (um terço do total de imigrantes e 4% da população do país).

Relatos de ativistas indicam que potenciais inquilinos brasileiros enfrentam entraves adicionais marcados por discriminação e exigências desproporcionais, como a cobrança adiantada de até 12 meses de aluguel (“rendas adiantadas”) e negativas arbitrárias de proprietários.

Pauta dos manifestantes vs. Resposta do Governo

Reivindicações das “Acampadas”:

  • Restrição a fundos imobiliários: Bloqueio de compras de imóveis por fundos de investimento estrangeiros e combate ao excesso de hospedagens turísticas temporárias;

  • Crítica à nova lei de aluguéis: Rejeição às propostas do Novo Regime de Arrendamento Urbano, que prevê aceleração de despejos, fim do teto de 2% para reajustes anuais e aumento do depósito-caução;

  • Moradia pública: Destinação imediata de prédios públicos e privados desocupados para habitação social.

Ações anunciadas pelo Governo Português:

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, afirmou que o governo está executando um plano de 10 bilhões de euros para o setor habitacional, prevendo a construção de 133 mil residências públicas financiadas com recursos do orçamento da República e do Banco Europeu de Investimentos. O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, garantiu tratar-se do maior pacote de incentivos à construção e locação das últimas décadas no país.

Saiba mais 📲https://portaldacidademarilia.com.br/

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