Consultoria projeta falta de 900 mil toneladas na safra mundial 2026/27 e moagem recorde de cana no Centro-Sul em 2027/28; o momento de entrada do açúcar brasileiro no mercado será decisivo para as cotações.
Por Portal do Agronegócio – Publicado em 29/09/2026 08:50 – Foto: Divulgação
O mercado mundial de açúcar pode enfrentar uma oferta mais apertada no primeiro semestre de 2027, antes que a nova safra do Centro-Sul do Brasil amplie a disponibilidade do produto para exportação. Segundo projeções divulgadas pela consultoria StoneX, o ciclo global 2026/27 deve registrar um déficit de 900 mil toneladas, ao mesmo tempo em que a região brasileira se prepara para uma moagem recorde de cana-de-açúcar na safra seguinte.
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Na avaliação do analista Marcelo Di Bonifacio Filho, da StoneX, a trajetória dos preços internacionais dependerá não apenas do volume total produzido, mas da janela temporal em que o produto brasileiro estará disponível no mercado externo. A safra do Centro-Sul inicia-se tradicionalmente em abril, e seus efeitos sobre a oferta exportável ganham tração ao longo do segundo trimestre de 2027.
Entressafra brasileira e demanda europeia no início de 2027
A StoneX aponta que o aperto no balanço global se concentrará nos primeiros seis meses de 2027. Nesse intervalo, o Centro-Sul estará concluindo o período de entressafra após registrar uma produção menor em 2026, fator que limita temporariamente os embarques para o exterior.
Outro componente relevante para o mercado é a necessidade de importação de açúcar branco pela União Europeia. A procura pelo produto refinado tende a elevar a demanda por açúcar bruto junto às refinarias globais, pressionando os fluxos operacionais de comércio sobretudo no primeiro trimestre do ano.
Paralelamente, a consultoria calcula que restam no campo cerca de 32 milhões de toneladas de cana bisada para colheita a partir de março. Caso ocorra uma retirada mais acelerada desse volume, a oferta no início do ano poderá ser reforçada, embora a hipótese não integre o cenário-base da análise.
Projeção de moagem recorde no Centro-Sul
Para a safra 2027/28, a StoneX projeta que a moagem no Centro-Sul alcance 662 milhões de toneladas de cana, o maior volume histórico da região. A fabricação de açúcar está estimada em 42,4 milhões de toneladas, patamar próximo ao recorde observado no ciclo 2023/24.
Conforme esse volume avance rumo aos portos, o aumento do fluxo exportador brasileiro tende a conter valorizações acentuadas nas bolsas internacionais. Para Di Bonifacio Filho, o apetite de compra da Europa pode sustentar os contratos futuros com vencimento em 2027 na Bolsa de Nova York, permitindo ao contrato maio/27 testar a marca de 20 centavos de dólar por libra-peso, a depender do ritmo das importações.
Cenário de curto prazo no encerramento de 2026
Diferentemente das projeções para 2027, a leitura da consultoria para o último trimestre de 2026 indica um mercado bem abastecido. Estima-se um excedente exportável de 9,4 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul para o período, volume próximo aos 9,6 milhões observados no mesmo intervalo de 2025.
Pelo lado da demanda, a consultoria identifica menor atividade compradora por parte da China, movimento reforçado pelo início da safra doméstica chinesa em outubro, o que reduz a necessidade de compras imediatas. Na Bolsa de Nova York, o contrato outubro/26 encerrou o período analisado em 17,50 centavos de dólar por libra-peso, evidenciando dificuldades técnicas para superar o patamar dos 18 centavos.
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