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André Mendonça afasta diretor-geral da Polícia Federal após denunciar monitoramento ilegal pelo órgão

Afastamento cautelar de Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência Leandro Almada ocorre após o ministro relatar espionagem e o uso de relatórios apócrifos no âmbito das investigações dos casos Banco Master e INSS.

Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura / O Globo – Publicado em 08/09/2026 às 09:15 – Foto: Brenno Carvalho/O Globo

Em um novo desdobramento da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça determinou, nesta terça-feira (8 de setembro de 2026), o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). O magistrado justificou a medida afirmando ter sido alvo de monitoramento pela inteligência do órgão nos últimos 30 dias.

A decisão atende parcialmente a um requerimento do Partido Novo e foi submetida pelo relator ao referendo da Segunda Turma do STF. Mendonça solicitou ao presidente do colegiado, ministro Luiz Fux, a convocação imediata de uma sessão virtual extraordinária.

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Afastamentos e proibição de relatórios

Além de Andrei Rodrigues, a determinação atinge outros setores da cúpula da corporação:

  • Diretoria de Inteligência: O delegado Leandro Almada foi afastado do cargo de diretor de inteligência policial.

  • Proibição de Inteligência Paralela: O ministro ordenou a suspensão imediata da produção, elaboração e compartilhamento de relatórios de inteligência voltados ao acompanhamento de magistrados, advogados públicos ou membros da polícia judiciária no exercício de suas funções constitucionais.

Na fundamentação, Mendonça argumentou que o afastamento temporário é proporcional para evitar a “utilização indevida de prerrogativas funcionais” e prevenir interferências nas apurações e colheitas de provas dos esquemas bilionários do Banco Master e do INSS.

Contexto de relatórios apócrifos e citações na PF

A medida ocorre após a divulgação de que relatórios apócrifos da PF — sem timbres oficiais ou autoria identificada — sugeriram “monitoramento e coleta dirigida” contra Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Os documentos vinham sendo utilizados no âmbito de disputas internas na Corte. Além disso, a análise do material apreendido no celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelou menções ao nome de Andrei Rodrigues em mensagens enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, nas quais o investigado sugeria intermediar ações para travar operações policiais.

Com a decisão de Mendonça, a Segunda Turma — composta por Luiz Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e pelo próprio relator — avaliará a manutenção da medida cautelar, enquanto o ministro Dias Toffoli figura como impedido no processo.

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