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Anvisa Investiga 13 Casos de Perda Rara de Visão Associados a Canetas Emagrecedoras

Estudo sugere associação com a semaglutida, mas relação de causa e efeito não está comprovada; Anvisa monitora relatórios de farmacovigilância e especialistas orientam sobre risco-benefício do tratamento.

​Por Redação Saúde – Publicado em 27/09/2026 – 13:23 – Foto: Pexels

​A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está investigando 13 notificações de suspeita de Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica (NOIA), lesão rara no nervo óptico que pode causar a perda permanente da visão, em pacientes no Brasil que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. As medicações, indicadas para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, incluem marcas como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.

​A NOIA é uma lesão rara no nervo óptico que funciona de forma semelhante a um “infarto” ocular: os pequenos vasos sanguíneos que irrigam o nervo entopem, provocando a morte celular e causando a perda súbita da visão de um dos olhos, frequentemente com sequelas irreversíveis.

​Distribuição das Notificações no Brasil

​De acordo com o painel de farmacovigilância da Anvisa, os 13 relatos registrados até o momento dividem-se entre as seguintes marcas comerciais:

​Ozempic: 5 notificações

​Wegovy: 3 notificações

​Wegovy FlexTouch: 2 notificações

​Rybelsus: 2 notificações

​Mounjaro: 1 notificação

​Em termos de princípio ativo, o sistema contabiliza 12 notificações ligadas à semaglutida e uma à tirzepatida. A Anvisa ressalta que a presença do remédio e da doença no sistema não comprova nexo causal direto.

​Desde junho de 2025, por determinação do órgão regulador brasileiro, a NOIA consta na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara.

​O que Mostram as Pesquisas Científicas?

​O debate internacional sobre o tema intensificou-se após a publicação de um estudo na renomada revista científica JAMA Ophthalmology. O levantamento analisou mais de 1,6 mil prontuários e observou um risco de 4 a 7 vezes maior de NOIA entre os que receberam semaglutida, em comparação com quem usava outras medicações.

​No entanto, os próprios autores ressaltaram limitações para confirmar causa e efeito. A principal incerteza decorre do fato de que esses pacientes também tinham condições preexistentes, como o diabetes, que por si só danificam os vasos sanguíneos e aumentam a vulnerabilidade do nervo óptico.

​O que Dizem as Fabricantes

​Em nota oficial, a Novo Nordisk (fabricante do Ozempic, Wegovy e Rybelsus) afirmou que análises de seus ensaios clínicos com mais de 83 mil pacientes-ano não demonstraram aumento na incidência de NOIA em relação ao placebo, mantendo-se o balanço favorável de risco-benefício da molécula.

​A Eli Lilly (responsável pelo Mounjaro) declarou que a segurança dos pacientes é sua prioridade e que mantém monitoramento contínuo sobre dados epidemiológicos e relatos de segurança junto às autoridades regulatórias globais.

​Recomendações dos Médicos e Sociedades de Saúde

​Especialistas em oftalmologia e endocrinologia enfatizam que as evidências atuais não justificam a interrupção indiscriminada do tratamento para quem tem indicação clínica clara.

​Pacientes com Indicação Médica: Para quem trata obesidade, diabetes ou hipertensão, a avaliação indica que os benefícios do tratamento superam os riscos raros de efeitos adversos.

​Uso Estético ou Indiscriminado: Médicos alertam contra a utilização por vaidade ou sem prescrição. Nesses casos, o indivíduo assume riscos reais de complicações graves sem obter uma contrapartida proporcional de ganho para a saúde.

​Diretrizes de Suspensão: A orientação oficial das sociedades médicas é suspender o uso caso o paciente tenha histórico prévio da doença ou apresente perda súbita/recente da visão, devendo procurar atendimento oftalmológico imediato.

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