Publicado em 22/03/2026 – 16:40
Uma operação da Polícia Federal em Recife (PE) colocou no centro das atenções um grupo com ligações em Marília e região. Quatro pessoas — três delas com vínculos em Marília e Vera Cruz — foram presas em flagrante na última sexta-feira (20), sob suspeita de lavagem de dinheiro, após a apreensão de R$ 2,733 milhões em espécie.
A abordagem ocorreu logo após o saque do montante em uma agência bancária localizada no centro da capital pernambucana. Segundo a Polícia Federal, um dos investigados realizou o saque e faria a entrega do dinheiro a outros três envolvidos, que haviam chegado à cidade pouco antes, em um jato particular — detalhe que chamou a atenção dos investigadores e reforçou a linha de apuração sobre a origem e o destino dos recursos.
O grupo foi conduzido à sede da PF, onde os quatro foram autuados em flagrante por lavagem de capitais. As investigações seguem em andamento para esclarecer a procedência do dinheiro e identificar possíveis conexões com outros ilícitos.

Quem são os envolvidos
Entre os presos está Fernando José Palma Sampaio, morador de Vera Cruz e então assessor do deputado federal Vinicius Carvalho. Ele foi exonerado do cargo logo após a repercussão do caso.
Também foi detido Tales Mariano Carvalho da Silva, que atuava como assessor da vereadora Vania Ramos. Segundo a parlamentar, ele já havia deixado o cargo a pedido no início de março.
Completam a lista Tiago Galve dos Santos, comerciante com vínculos com Marília e Luiz Henrique de Albuquerque Bueno, empresário.
Dinheiro vivo, jato particular e investigação em curso
De acordo com a Polícia Federal, a movimentação chamou atenção não apenas pelo valor elevado em espécie, mas também pela logística envolvida.
Parte do grupo teria desembarcado em Recife em aeronave particular pouco antes da retirada do dinheiro, indicando possível articulação prévia.
A principal linha de investigação neste momento busca esclarecer a origem dos R$ 2,7 milhões, o destino final do montante e e se há conexão com outras práticas ilícitas
Reações e posicionamentos
Em nota, a vereadora Vania Ramos afirmou ter sido surpreendida pela prisão do ex-assessor e destacou que, durante o período em que ele integrou sua equipe, não houve qualquer indício de irregularidade. “Nunca houve qualquer situação que levantasse suspeitas. Ainda assim, ele não faz mais parte da assessoria”, declarou, reforçando o compromisso com a transparência e colocando-se à disposição das autoridades.
Já o deputado federal Vinicius Carvalho repudiou tentativas de vincular seu nome ao caso. Por meio de sua assessoria, afirmou não haver qualquer elemento que indique seu envolvimento nos fatos investigados e informou que determinou a exoneração imediata do assessor citado.
A defesa de três dos investigados, representada pelo advogado Jader Gaudêncio Filho, sustenta que o episódio está relacionado a uma relação privada de negócios, sem ligação com atividade pública ou política.
Desdobramentos jurídicos
Segundo a defesa, a Justiça não converteu a prisão em flagrante em preventiva, determinando a liberação dos envolvidos por ausência de indícios suficientes que justificassem a manutenção da custódia.
Outro ponto levantado é que, de acordo com os advogados, os assessores não estavam na posse direta do dinheiro no momento da abordagem.
Impacto regional e atenção política
O caso ganha repercussão em todo o interior paulista por envolver nomes ligados a Marília e Vera Cruz, regiões com forte movimentação política e proximidade com bases eleitorais relevantes.
Embora não haja, até o momento, indicação de envolvimento direto de agentes públicos nos fatos investigados, a ocorrência levanta questionamentos sobre o entorno político e reforça o alerta das autoridades quanto à circulação de grandes quantias em espécie, prática frequentemente associada a crimes financeiros.


