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Brasil e EUA reabrem negociações comerciais após ligação telefônica entre Lula e Donald Trump

Diálogo entre os dois presidentes destrava canal direto entre o MDIC, o Itamaraty e o escritório comercial estadunidense após impasse sobre sobretaxas a produtos nacionais.

Por Wellton Máximo — Publicado em 22/08/2026 – 08:16 – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

Em um importante avanço diplomático e econômico, autoridades do governo brasileiro e do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) vão retomar as reuniões bilaterais a partir da próxima semana. A confirmação do encontro ocorreu logo após uma conversa telefônica de 1 hora e 20 minutos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump.

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As tratativas serão lideradas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, acompanhado de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do representante comercial norte-americano, Jamieson Greer. A reunião abre um canal oficial para contornar o recente impasse gerado pelas taxas impostas por Washington sobre itens exportados pelo Brasil.

“O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas são infundadas”, destacou a nota oficial emitida pelo Palácio do Planalto.

Argumentos em pauta e controvérsias das tarifas

Durante o telefonema qualificado como “cordial”, Lula contestou a lista de alegações apresentada pela Casa Branca para fundamentar as medidas restritivas contra o comércio brasileiro. Entre os pontos citados por Washington estão entraves relacionados a:

  • Questões ambientais e regulatórias: Desmatamento, bioenergia e regras sobre etanol.

  • Economia digital e propriedade: Funcionamento do sistema Pix, propriedade intelectual e normas de integridade.

  • Comércio internacional: Acordos preferenciais e fiscalização de importações vinculadas a trabalho forçado.

O chefe do Executivo brasileiro reiterou que a imposição de barreiras tarifárias gera prejuízos mútuos, afetando cadeias produtivas de ambos os países, tese aceita por Trump ao concordar com o envio de suas equipes técnicas para a mesa de negociação.

Cooperação em segurança e mediação de conflitos mundiais

Além do comércio exterior, a agenda entre Lula e Donald Trump cobriu temas cruciais da segurança pública global e geopolítica. O presidente brasileiro defendeu o combate conjunto ao crime organizado e à asfixia financeira de facções — citando ações nacionais como a Lei Antifacção e a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões —, alertando para que esses grupos não sejam equiparados juridicamente a entidades terroristas.

No campo internacional, os líderes abordaram os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. Lula voltou a criticar a falta de efetividade do Conselho de Segurança da ONU, propondo uma convocação extraordinária do órgão para buscar caminhos diplomáticos. “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, sintetizou o presidente brasileiro.

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