Divergências na votação sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes revelam dois grupos em equilíbrio e evidenciam como a ausência do 11º integrante altera a dinâmica do plenário
Por Davi Valadares — Publicado em 21/09/2026 – 08:30 – Foto: Gustavo Moreno/STF
A crise envolvendo as investigações do extinto Banco Master expôs de forma inédita as divergências internas e o jogo de forças no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão realizada no último dia 15 de setembro — destinada a avaliar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por conexões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — acabou paralisada após pedido de vista de Flávio Dino, revelando duas alas numericamente equilibradas.

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O desenho momentâneo colocou, de um lado, Edson Fachin (presidente da Corte), André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia; e, de outro, Gilmar Mendes (decano), Cristiano Zanin, o próprio Moraes e Dino. O ministro Kassio Nunes Marques declarou impedimento por sua gestão anterior no TSE, enquanto Dias Toffoli declarou suspeição por foro íntimo.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, em vez de blocos ideológicos fixos, o cenário reflete um alinhamento circunstancial pautado por disputas de poder interno, procedimentos e credibilidade pública. A divisão ganha contornos mais sensíveis diante da composição incompleta da Corte, uma vez que o plenário do Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Tribunal por 42 votos a 34, deixando o STF funcionando com dez integrantes e sujeito a frequentes empates.

A crise na Corte aprofundou-se após a divulgação de relatórios da Polícia Federal decorrentes da Operação Compliance Zero. Os documentos trouxeram citações diretas ou indiretas a pelo menos seis ministros — incluindo suspeitas envolvendo fundos de investimento ligados a familiares, edição de contratos milionários de advocacia, reuniões com advogados do banco e concessão de ingressos corporativos. O ambiente de desconfiança mútua coloca à prova a capacidade de autorregulação e mediação interna do próprio Supremo.
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