Batizada de Polilaminina, a substância atua como uma “ponte” para a regeneração de neurônios; descoberta traz nova esperança para o tratamento de lesões medulares.
Por G1 – Publicado em 22 de fevereiro de 2026 – 22:29
Uma pesquisa inovadora liderada por cientistas brasileiros está ganhando destaque internacional ao apresentar uma solução promissora para a recuperação de movimentos em pacientes com paralisia. O estudo foca na Polilaminina, um biopolímero sintético desenvolvido para mimetizar as propriedades da laminina — uma proteína essencial para o crescimento e a organização dos tecidos nervosos.

Diferente das abordagens convencionais, a Polilaminina funciona como um “andaime” biológico. Quando aplicada no local da lesão medular, ela cria uma estrutura favorável que permite aos neurônios rompidos voltarem a crescer e atravessar a área lesionada, restabelecendo a comunicação entre o cérebro e os membros.
A pesquisa começou há quase 30 anos com a bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela produziu em laboratório uma rede de proteínas, as “lamininas”. O conjunto delas forma a polilaminina, que recupera os axônios — a parte dos neurônios que serve como ponte para a informação.
A bióloga explica que o conceito é simples:
“Como que faz para o axônio crescer na vida real? Ele cresce em cima de uma pista de laminina. Quando tem uma lesão, tem pista de laminina? Não. E se a gente der a pista? Ah, ele volta a crescer. Não tem nenhuma genialidade nisso”.
Avanços e Resultados
Os testes laboratoriais e em modelos animais demonstraram resultados surpreendentes. Em casos de lesões agudas, a aplicação da substância impediu a formação de cicatrizes gliais (que normalmente bloqueiam a regeneração natural) e estimulou a plasticidade neural. Em alguns experimentos, observou-se a recuperação parcial da sensibilidade e da coordenação motora.
Impacto na Medicina Brasileira
O projeto, que envolve instituições de ponta no Brasil, representa um marco para a biotecnologia nacional. Além de ser uma alternativa de baixo custo em comparação a terapias internacionais, a Polilaminina destaca a capacidade da ciência brasileira em produzir inovação de alto impacto para a saúde pública global.
Próximas Etapas
Apesar do otimismo, os pesquisadores ressaltam que o tratamento ainda cumpre etapas rigorosas de validação. O próximo passo envolve a expansão dos ensaios clínicos para garantir a total segurança e eficácia em seres humanos em larga escala. Se os resultados forem mantidos, a técnica poderá revolucionar o protocolo de atendimento a vítimas de traumas na coluna vertebral.


