Apresentado durante a COP17 em Ulaanbaatar, estudo conduzido pela SPUN e pesquisadores locais demonstra como redes micorrízicas retêm carbono, reduzem a erosão e aceleram a regeneração da vegetação.
Por Rafael Cardoso (Enviado Especial) — Publicado em 21/08/2026 – 08:32 – Foto: Tomas Munita/SPUN
Directamente de Ulaanbaatar, na Mongólia, cientistas reunidos durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17) apresentaram um avanço promissor no uso de microrganismos para regenerar o meio ambiente. Redes subterrâneas formadas por fungos micorrízicos surgem como peça-chave para restaurar solos degradados, combater a erosão e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
📲Participe do canal do Portal da Cidade de Marília no WhatsApp
O estudo foi liderado pelas pesquisadoras Toby Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN), e a ecóloga Burenjargal Otgonsuren.

A simbiose invisível que sustenta a vegetação
Os fungos micorrízicos vivem em associação direta com as raízes das plantas, criando uma “infraestrutura viva” sob a terra:
-
Nutrição e hidratação: Enquanto recebem carbono gerado pelas plantas na fotossíntese, os fungos transferem água e nutrientes essenciais como fósforo e nitrogênio.
-
Coesão do solo: Suas redes agregam partículas do solo, reduzindo a erosão e aumentando a resistência da vegetação contra períodos intensos de seca.
-
Metodologia de refúgio: A estratégia consiste em cercar temporariamente trechos de pastagens degradadas, criando “bancos vivos de fungos” que funcionam como centros de dispersão microbiológica.
Experimento promissor nas estepes e desertos
Testes práticos conduzidos por Otgonsuren demonstraram que o isolamento temporário contra o gado resultou em crescimento vegetativo consideravelmente mais alto nas áreas protegidas. Estima-se que até 91% das pastagens degradadas da Mongólia possam beneficiar dessa abordagem de manejo e recuperação do solo.

Além do impacto no combate à desertificação, a amostragem revelou que 90% das sequências de DNA fúngico coletadas pertencem a espécies totalmente novas para a ciência, destacando um universo biológico ainda não mapeado.
Nova pauta de conservação ambiental
Diante dos dados, as especialistas defendem a reformulação das políticas internacionais de conservação, historicamente voltadas apenas para espécies visíveis (fauna e flora). Cerca de 90% dos hotspots de biodiversidade microbiana identificados pela SPUN estão desprotegidos, e a proposta é integrar os dados sobre o bioma subterrâneo aos atlas globais e aos planos formais de combate à seca e desertificação.
Saiba mais 📲https://portaldacidademarilia.com.br/


