A Operação Fluxo Oculto, deflagrada pelo Gaeco e pela Receita Federal, cumpre 55 mandados de busca e apreensão. O foco das investigações está no desmonte de seis fintechs que funcionavam como bancos paralelos para movimentar recursos da facção criminosa por meio de distribuidoras e postos de combustíveis.
Por Agência Brasil – Publicado em 28 de maio de 2026 às 10:07 – Foto: Tomaz Silva
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (28), uma grande operação interestadual para desarticular os braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ofensiva ocorre simultaneamente em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, tendo como alvo a infiltração da facção criminosa no mercado de combustíveis.
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Batizada de Operação Fluxo Oculto, a ação cumpre 55 mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça. A força-tarefa conta com o suporte operacional dos Gaecos locais de cada um dos estados envolvidos, mobilizando dezenas de promotores, policiais e auditores fiscais.
Os dois pilares do esquema criminoso
As investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo revelaram que a organização criminosa estruturou uma complexa engenharia comercial e financeira baseada em duas frentes complementares:
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O Núcleo Bancário Paralelo: O foco principal das autoridades recai sobre seis fintechs (empresas de tecnologia financeira). Essas plataformas digitais operavam como verdadeiros bancos clandestinos, realizando compensações financeiras internas e ocultando transações de fundos de investimentos administrados pelo PCC, blindando o dinheiro que circulava entre distribuidoras e postos de combustíveis.
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A Fraude e Adulteração Química: No campo operacional, a facção atuava no desvio de nafta petroquímica — um solvente derivado do petróleo. Esse material era direcionado para terminais de armazenamento e postos de combustíveis para ser misturado irregularmente à gasolina. Para dar aparência de legalidade à compra e venda do produto químico, o grupo utilizava uma rede de empresas de fachada (fantasmas).
Desdobramento da Operação Carbono Oculto
A ação desta quinta-feira constitui uma nova fase da Operação Carbono Oculto, investigação que acendeu o alerta das autoridades de segurança pública para o nível de sofisticação do crime organizado. O PCC deixou de usar o mercado de combustíveis apenas para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas; a facção passou a dominar a cadeia produtiva e o ecossistema de investimentos e instituições de pagamento para multiplicar seus ativos econômicos.
O material apreendido hoje será analisado pela Receita Federal e peritos do Ministério Público para identificar os CPFs dos testas de ferro e os CNPJs das empresas que financiavam e sustentavam o esquema em todo o país.
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