HomeMoto GPMotoGP está de volta ao Brasil após 22 anos

MotoGP está de volta ao Brasil após 22 anos

 

O que muda, o que esperar e por que Goiânia virou a nova casa da categoria?

Publicado em 16/02/2026 – 10:53

Depois de 22 anos fora do calendário da principal categoria do motociclismo mundial, o Brasil volta oficialmente à rota da MotoGP. A etapa brasileira está marcada para os dias 20, 21 e 22 de março de 2026, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO).

📲Participe do canal do Portal da Cidade de Marília no WhatsApp

O retorno encerra uma ausência iniciada em 2004, quando a categoria realizou sua última corrida no país, no extinto Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Desde então, gerações de fãs cresceram sem ver de perto as máquinas mais rápidas do mundo sobre duas rodas acelerando em solo brasileiro.

Agora, o cenário muda, e o Brasil volta a ocupar espaço no mapa global da motovelocidade.

A organização do evento inclui um contrato válido por cinco temporadas (até 2030), assinado entre a Dorna Sports (gestora comercial da MotoGP), o governo de Goiás e a Brasil Motorsport — a mesma promotora responsável pelo GP de Fórmula 1 no Brasil.

Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia — local que sediará o GP do Brasil em 2026 – Foto Autodromo-de-Goiania-Imagem-Governo-de-Goias

Um retorno que começou nos bastidores

A volta da MotoGP ao país não aconteceu por acaso. O processo envolveu negociações entre a Dorna Sports (empresa que detém os direitos comerciais da categoria), o Governo de Goiás e a promotora responsável pela organização local do evento.

O contrato firmado prevê múltiplas edições do Grande Prêmio do Brasil, garantindo estabilidade ao projeto e permitindo investimentos estruturais no autódromo goiano. A escolha por Goiânia não foi apenas geográfica, mas estratégica.

O Autódromo Internacional Ayrton Senna já recebeu a MotoGP no fim dos anos 1980, quando ainda era a era das 500cc. A pista é considerada técnica, com curvas de média e alta velocidade e boas áreas para ultrapassagem — características que agradam à organização da categoria.

 Além disso, Goiânia oferece logística favorável, clima estável em março e uma estrutura urbana capaz de absorver o fluxo internacional de equipes, imprensa e torcedores.

Pilotos da Marlboro Yamaha – Wayne Rainey e John Kocinski, campeões na GP500 de 1990, antes da era da MotoGP        Foto – Moto GP 1990 – Fonte Revista Motors Sport

Do Rio a Goiânia: o fim de uma era e o início de outra

A última vez que o Brasil recebeu a MotoGP foi em 2004, em Jacarepaguá. O circuito carioca, que também sediava a Fórmula 1, foi demolido anos depois para dar lugar às obras olímpicas. Com isso, o país perdeu sua principal casa do motociclismo internacional.

Durante o período em que ficou fora do calendário, o Brasil assistiu a uma profunda transformação na MotoGP:

  • A evolução das motos de 990cc para 800cc e depois para 1000cc.
  • A introdução da eletrônica avançada.
  • A popularização do formato Sprint Race.
  • A entrada de novas fábricas e o fortalecimento de equipes satélites.
  • A ascensão de uma nova geração de pilotos multicampeões.

Ou seja, o público brasileiro reencontrará uma categoria muito mais tecnológica, estratégica e globalizada do que aquela que deixou o país em 2004.

A importância econômica do retorno

O impacto de um evento como a MotoGP vai além do esporte. Cada etapa do campeonato movimenta milhões em turismo, hotelaria, transporte, gastronomia e serviços. O retorno da MotoGP ao Brasil é visto com grande otimismo por fãs e autoridades.

Goiânia deve receber equipes internacionais (centenas de profissionais por escuderia), jornalistas de diversos países, patrocinadores globais, além de milhares de turistas nacionais e estrangeiros.

Eventos desse porte costumam gerar ocupação máxima na rede hoteleira, aumento no fluxo aéreo e forte exposição internacional da cidade-sede. A transmissão para dezenas de países coloca Goiânia em evidência no cenário mundial.

Além disso, a volta da MotoGP reacende o debate sobre o fortalecimento do motociclismo brasileiro, que há décadas carece de maior presença no cenário internacional da motovelocidade.

Goiás – Expectativa e Impacto

A transmissão da prova no Brasil já foi assegurada pela rede Bandeirantes (Band), que garantiu direitos de exibir o GP ao vivo para milhões de espectadores brasileiros.

O autódromo: adaptações e modernização

Para receber a MotoGP, o Autódromo Ayrton Senna passa por adequações exigidas pelos rígidos padrões da Federação Internacional de Motociclismo (FIM).

As reformas visam a atender aos padrões de segurança e exigências técnicas da MotoGP, incluindo melhorias na pista, áreas de escape e infraestrutura geral.

Em 17 de março de 2025, Goiânia sediou um evento de demonstração gratuito, reunindo pilotos nacionais e internacionais para aquecer o clima da volta do campeonato ao país.

Entre os principais pontos avaliados estão:

  • Áreas de escape ampliadas
  • Atualização de zebras e asfalto
  • Melhorias na segurança de barreiras
  • Modernização de boxes e paddock
  • Infraestrutura para transmissão internacional

A MotoGP possui um dos mais altos níveis de exigência técnica do automobilismo e motociclismo mundial. A homologação da pista é um processo detalhado, que inclui inspeções técnicas presenciais.

Pilotos da MotoGP em treinos livres durante um GP — expectativa para a chegada dos principais nomes da categoria ao Brasil – Foto – Treinos livre – Fonte Dorna Sports

Curiosidades sobre a MotoGP no Brasil

O Brasil já revelou talentos no motociclismo, mas nunca teve um campeão da categoria principal.

Goiânia sediou provas da antiga 500cc entre 1987 e 1989.

O traçado goiano é considerado “old school”, com desenho fluido e poucas chicanes artificiais.

O retorno ao Brasil acontece em um momento de expansão da MotoGP fora da Europa, reforçando o caráter global do campeonato.

MotoGP em ação no Autódromo de Jacarepaguá (RJ), última vez que a categoria correu no Brasil, em 2004.

O que esperar da etapa brasileira

O calendário coloca o GP do Brasil em março, fase inicial da temporada. Isso significa que a corrida pode ser decisiva para o embalo do campeonato, quando equipes ainda estão ajustando acertos e pilotos buscando ritmo ideal.

Com o formato atual da MotoGP, o fim de semana inclui Treinos livres, Classificação, Corrida Sprint (sábado), Corrida principal (domingo).

O público brasileiro terá contato com algumas das maiores estrelas do motociclismo mundial e com motos que ultrapassam 350 km/h nas retas mais longas.

Torcida vibra em grande prêmio de motociclismo — expectativa de público para o GP do Brasil em Goiânia – Foto Moto GP

Um novo capítulo para o esporte no país

O retorno da MotoGP é simbólico. Representa a retomada de protagonismo do Brasil em um cenário esportivo global altamente competitivo.

Mais do que uma corrida, trata-se de um projeto de médio e longo prazo, que pode reacender a cultura da motovelocidade no país, atrair investimentos e inspirar novos pilotos.

O Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna se prepara em ritmo acelerado para receber o maior evento de motovelocidade do mundo – Foto Autodromo-de-Goiania-Imagem-Governo-de-Goias

Os protagonistas da velocidade

A elite da MotoGP segue concentrando alguns dos maiores talentos da motovelocidade mundial. O atual campeão Francesco Bagnaia continua como uma das principais referências do grid, combinando consistência e agressividade na medida certa. Ao lado dele, o espanhol Marc Márquez mantém o status de ícone da categoria, agora em uma nova fase da carreira, enquanto jovens como Jorge Martín e Pedro Acosta representam a renovação de uma geração que acelera sem receio.

Nesse cenário altamente competitivo, o Brasil volta a ter motivos para acompanhar o campeonato com atenção especial. O jovem Diogo Moreira vem chamando atenção pelo desempenho consistente nas categorias de base do Mundial, demonstrando maturidade e velocidade para brigar entre os ponteiros. Seu crescimento reacende a esperança de ver novamente um brasileiro disputando posições de destaque na classe principal da motovelocidade.

Diogo Moreira garantiu lugar na elite ao integrar a LCR Honda Team, estrutura ligada à tradicional fábrica japonesa, e carrega consigo não apenas ambição, mas a esperança de recolocar o Brasil em posição de destaque na principal categoria da motovelocidade mundial. Sua trajetória é vista como o início de um novo capítulo, um capítulo que reacende a paixão verde e amarela nas arquibancadas e nas madrugadas diante da TV.

O jovem piloto Diogo Moreira é visto como a esperança de recolocar o Brasil em posição de destaque no MotoGP. Foto Diogo Moreira – Uol

Depois de 22 anos de silêncio, o ronco dos motores volta a ecoar oficialmente em solo brasileiro e o Brasil volta a ouvir o som da MotoGP, dando o tom de uma nova era da velocidade.

Leia mais 📲https://portaldacidademarilia.com.br/

 

ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.

- Publicidade -

Mais lidos