O caso do cão Orelha, espancado até a morte em Florianópolis, foi o primeiro de uma sequência de ataques contra animais comunitários no Brasil. No Paraná, um cachorro foi morto a tiros; no Rio Grande do Sul, animal foi ferido por PM.
Por Agência Brasil — 31/01/2026 08h31
A morte cruel do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), no início de janeiro, parece ter aberto as portas para uma onda de violência contra animais em diversas regiões do Brasil. No intervalo de apenas uma semana, pelo menos cinco casos de ataques graves contra cães foram registrados, mobilizando autoridades e gerando revolta nas redes sociais.
Relembre o caso Orelha
Orelha era um cão dócil, cuidado por moradores e trabalhadores da Praia Brava, no Norte da Ilha de Santa Catarina. No dia 4 de janeiro, ele foi brutalmente espancado por um grupo de adolescentes. O animal sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas, precisando ser submetido à eutanásia dois dias depois. Um segundo cão, chamado Caramelo, também foi atacado pelo grupo e arremessado ao mar, mas sobreviveu e foi adotado.
Sequência de ataques
Após a repercussão do caso catarinense, outros episódios de violência vieram à tona:
Abacate (Toledo, PR): No dia 27 de janeiro, o cão comunitário conhecido como Abacate foi baleado no abdômen no bairro Tocantins. O animal chegou a ser socorrido por protetores e passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos internos e morreu. A polícia civil do Paraná investiga o autor dos disparos.
Negão (Campo Bom, RS): Também no dia 27, um cão chamado Negão foi atingido por um tiro de munição não letal disparado por um policial militar. Segundo a Brigada Militar, a guarnição atendia uma ocorrência de desinteligência e o animal teria avançado nos policiais. O cão sobreviveu, está em tratamento e será colocado para adoção. Um inquérito policial militar foi aberto para apurar a conduta.
Caramelo (São Paulo, SP): Na Zona Leste da capital paulista, imagens de câmeras de segurança divulgadas nesta semana mostram um homem disparando pelo menos dez vezes contra um cão comunitário que dormia na calçada. O animal morreu no local. O agressor ainda não foi identificado.
Outros casos: Relatos de envenenamento em massa e agressões físicas menores foram reportados em Minas Gerais e no interior de São Paulo no mesmo período, elevando o alerta de entidades de proteção animal.
Reação das autoridades
Em Santa Catarina, a investigação sobre a morte de Orelha avançou. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra quatro adolescentes e indiciou três adultos (parentes dos jovens) por coação de testemunhas e obstrução de justiça. Como homenagem, o governador de SC anunciou que o primeiro hospital veterinário público do estado levará o nome de Orelha.
No Congresso Nacional, parlamentares da “bancada pet” articulam o endurecimento das penas para crimes de maus-tratos cometidos por menores de idade, além de cobrar maior agilidade na aplicação da Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que prevê reclusão de dois a cinco anos para quem maltrata cães e gatos.


