A organização FairSquare afirma que o dirigente já cumpre o limite máximo de três mandatos, contestando a manobra que desconsiderou seu primeiro período na presidência da entidade.
Por Rohith Nair e Karan Prashant Saxena / Reuters – Publicado em 17/08/2026 – 15:38
A organização de direitos humanos FairSquare solicitou formalmente que a Fifa declare o atual presidente da entidade, Gianni Infantino, inelegível para disputar uma nova reeleição. A entidade argumenta que o dirigente já está cumprindo seu terceiro e último mandato permitido pelas normas internas da federação internacional.
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Os estatutos da Fifa estabelecem um limite máximo de três mandatos para o cargo de presidente. No entanto, em 2022, Infantino obteve aval para que seu primeiro período na presidência — iniciado em 2016 após a renúncia de Sepp Blatter — não fosse contabilizado nesse limite, sob a justificativa de que apenas completou um mandato interrompido.
Em contestação enviada ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade (GACC) da Fifa, a FairSquare alega que tal interpretação contraria diretamente o objetivo dos regulamentos da federação.
“A denúncia que apresentamos fornece evidências claras de que se trata de uma violação evidente das regras e que abre um precedentemente muito perigoso. As regras estabelecem claramente que três mandatos presidenciais são o máximo permitido; a Fifa não pode simplesmente contornar essa regra — que serve como um freio ao poder presidencial — alegando que seu primeiro mandato não conta”, declarou o diretor da FairSquare, Nicholas McGeehan.
Pressão internacional e divisão de apoios
A iniciativa da FairSquare ocorre em meio ao aumento de escrutínio sobre a gestão de Infantino antes do próximo Congresso da Fifa, previsto para o dia 18 de março, no Marrocos, onde o dirigente planeja buscar sua recondução para o ciclo de 2027 a 2031.
A movimentação ganha força após a Uefa, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf solicitarem uma revisão da conduta do presidente. A insatisfação das confederações cresceu após a proposta da Fifa de criar uma subsidiária de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 104 bilhões) para atrair investimentos privados em suas competições.
Diversas federações nacionais também sinalizaram oposição, como a Federação Escocesa de Futebol, cujo diretor-executivo, Ian Maxwell, confirmou que não apoiará a reeleição. Por outro lado, Infantino mantém o apoio político das confederações da América do Sul (Conmebol) e da África (CAF).
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