Com trajetória no setor público, no Senado e na gestão do IDP, advogada teve escritório citado em auditoria interna por repasse do banco de Daniel Vorcaro; defesa nega atuação no Supremo
Por Geovanna Hora — Publicado em 19/09/2026 – 09:15
Documentos de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB), apreendidos pela Polícia Federal (PF), revelaram que o escritório da advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa recebeu R$ 33 milhões em pagamentos efetuados pelo Banco Master, instituição financeira pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, ao longo do ano de 2024. A revelação ocorre no âmbito dos desdobramentos das investigações que envolvem as operações do banco.
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Em nota enviada à imprensa, a assessoria de Dalide Corrêa afirmou que a advogada “jamais atuou para o Master no STF nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”. A defesa esclareceu que a prestação de serviços restringiu-se exclusivamente a processos judiciais de primeira e segunda instâncias, conduzidos originalmente em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que foram posteriormente sucedidas pela instituição financeira nas ações.
Aos 67 anos, Dalide é natural de Cansanção (BA), graduada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e pós-graduada em Direito Tributário, Constitucional e Processual Civil. Sua carreira pública e jurídica inclui passagens como diretora jurídica da Caixa Econômica Federal, assessora na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, procuradora-geral na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e chefe de assessoria parlamentar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2010, fundou o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, e assumiu a diretoria-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), fundado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, cargo no qual permaneceu até 2017. Interlocutores do ministro informaram que ele se afastou da advogada após a saída dela da instituição e que não mantém relação de proximidade. Em 2022, Dalide disputou uma vaga como suplente ao Senado em Goiás pelo Republicanos, declarando um patrimônio de R$ 88,5 milhões.
A menção à advogada surgiu em diálogos de diretores do Master obtidos pela PF durante a Operação Compliance Zero. Em conversas sobre despesas, o diretor financeiro Ângelo Ribeiro instruiu o pagamento ao escritório de Dalide referindo-se à banca como “canal direto com o STF”, sem detalhar o significado da expressão. A PF ressaltou que ainda não realizou diligências específicas sobre esse contrato nem emitiu juízo de valor sobre a legalidade dos serviços, e que nenhum ministro do Supremo foi alvo de medidas investigativas no processo.
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