Com cobertura vacinal em 75% na capital paulista, especialista da SBIm reforça a importância da vacinação homogênea e do rastreio rápido para evitar surtos da doença em hubs internacionais.
Por Guilherme Jeronymo – Agência Brasil – Publicado em 11/08/2026 – 08:37
A concentração de registros de sarampo em São Paulo ligou o sinal de alerta entre as autoridades de saúde pública. A baixa cobertura vacinal na capital paulista — atualmente em cerca de 75%, quando o ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para barrar a transmissão do vírus é de 95% — amplia a vulnerabilidade da população e favorece a emergência de novos surtos.
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Em entrevista à Agência Brasil, o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, explicou que a posição de São Paulo como hub global de negócios e turismo torna a entrada do vírus um evento previsível.
Transmissão, Incubação e Bolsões de Vulnerabilidade
O vírus do sarampo é altamente contagioso, transmitido por gotículas expelidas na fala, tossida ou espirro. O ciclo de incubação e transmissibilidade dura cerca de 20 dias (10 dias de incubação, 2 dias de transmissão pré-febril e mais 12 dias após o início do quadro febril).
Kfouri ressalta que, sem atingir a meta vacinal de forma homogênea em todos os territórios, bairros com baixos índices se tornam “bolsões vulneráveis”:
“Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância. Na vigilância temos de estar atentos, fazer o isolamento e a vacinação dos contatos. Não é algo simples, pois São Paulo é um hub onde há eventos internacionais diários.”
O especialista pontua que a estratégia de reforço vacinal (incluindo uma eventual terceira dose em ações de bloqueio) é altamente eficaz e barata para cobrir a margem de cerca de 5% de pessoas em que a vacinação regular não gera resposta imune completa.
Concentração de Casos na Grande SP e Creches
Dos 24 casos confirmados no país na atual temporada, 23 concentram-se na Grande São Paulo. Na capital, a transmissão comunitária ganhou força na Zona Norte, afetando principalmente os bairros vizinhos da Vila Medeiros (7 casos) e Vila Maria (2 casos), além de desdobramentos no município de Guarulhos.
O principal cenário de contágio foi uma escola de educação infantil. As crianças menores de um ano — faixa etária que ainda não está apta para receber o esquema vacinal de rotina do sarampo — representam a maioria dos infectados e hospitalizados na região.
A prefeitura de São Paulo já havia confirmado a chegada de casos importados da Bolívia (em fevereiro) e da Guatemala (em março), padrão semelhante ao do ano anterior, quando caminhoneiros vindos da Bolívia introduziram o vírus no Mato Grosso do Sul e Tocantins. A rede sanitária paulista segue mobilizada para ações rápidas de bloqueio vacinal e rastreio de contatos.
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