Sob o comando de Carlo Ancelotti, a Seleção Brasileira sofreu com a forte pressão tática do atual campeão africano e saiu atrás no placar em Nova Jersey. Um lampejo individual do camisa 7 evitou o tropeço na primeira rodada do Grupo C, mantendo a histórica invencibilidade do país em estreias mundiais.
Por Danilo Lavieri, Pedro Lopes e Thiago Rabelo (Do UOL, em Nova Jersey) – Publicado em 13/06/2026 21h05
A caminhada da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 começou longe do rendimento esperado, mas com a mística das estreias preservada. Em partida realizada na noite deste sábado (13) no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o Brasil empatou em 1 a 1 com a seleção de Marrocos pela primeira rodada do Grupo C.
O resultado marcou o primeiro compromisso oficial do técnico italiano Carlo Ancelotti em Mundiais à frente da Amarelinha.
Apesar da atuação coletiva instável e cheia de falhas defensivas, o Brasil conseguiu sustentar seu tabu histórico: não perde um jogo de abertura de Copa desde 1934.
Com o tropeço evitado, Brasil e Marrocos largam com um ponto cada na tabela de classificação. A rodada de abertura do Grupo C se completa ainda esta noite, às 22h (de Brasília), com o confronto isolado entre Haiti e Escócia, na cidade de Boston.
Na próxima jornada, o elenco comandado por Ancelotti viaja até a Filadélfia, onde medirá forças contra o Haiti na sexta-feira (19), às 21h30.
O Descompasso Tático e o Gol Marroquino
O início do confronto foi um verdadeiro monólogo da equipe africana. Com uma marcação alta e muita velocidade de transição conduzida por Brahim Díaz, Marrocos dominou amplamente o meio-campo brasileiro, que se mostrou lento, espaçado e impreciso nas saídas com Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá.
Nos primeiros dez minutos, a posse de bola dos marroquinos beirou os 70%, sufocando o sistema defensivo do Brasil — especialmente pelo lado direito, onde o zagueiro improvisado Ibañez sofria seguidos dribles e desatenções.
Curiosamente, no momento em que o Brasil parecia respirar e equilibrar as ações, o erro fatal aconteceu. Aos 21 minutos, Paquetá perdeu a posse no campo ofensivo, armando o contragolpe letal do adversário.
Brahim Díaz descolou um passe em profundidade milimétrico que rasgou a zaga nacional. O atacante Saibari infiltrou-se livre entre Marquinhos e Gabriel Magalhães e, ao perceber a saída desesperada (e excessiva) do goleiro Alisson para fora da grande área, deu um toque sutil de cobertura para abrir o placar.

O Raio de Vini Jr. a 114 km/h
A desvantagem obrigou Ancelotti a intervir na pausa técnica para hidratação, invertendo as posições de Paquetá e Raphinha.
A melhora estrutural foi sutil, mas a resposta definitiva veio no talento individual. Aos 32 minutos, Vinícius Júnior recebeu aberto pela ponta esquerda, chamou a marcação marroquina para o confronto individual e disparou um violento chute cruzado.
O telão do estádio registrou que a bola atingiu a impressionante velocidade de 114 km/h, estufando as redes do goleiro Bono para selar o 1 a 1.
Apesar do empate, os números do primeiro tempo refletiram a superioridade de Marrocos, que finalizou 12 vezes contra apenas seis do Brasil.
Insatisfeito com a produção e o excesso de cartões, Ancelotti promoveu duas alterações drásticas logo no intervalo: sacou Casemiro e Ibañez para as entradas de Fabinho e do lateral de origem Danilo.
As mexidas deram maior estabilidade defensiva e consistência posicional, travando as principais subidas dos africanos.
Na reta final, o treinador italiano oxigenou o ataque com Luiz Henrique e Matheus Cunha, deslocando Raphinha para a faixa central e deixando a promessa Endrick no banco de reservas durante os 90 minutos.
Embora o Brasil tenha ensaiado uma pressão nos dez minutos de acréscimo concedidos pelo árbitro esloveno Slavko Vincic, Marrocos fechou suas linhas de marcação, administrando o empate que acabou sendo justo pelo volume apresentado pelas duas equipes.
Ficha Técnica da Partida
Brasil 1 x 1 Marrocos
Local: MetLife Stadium, Nova Jersey (EUA)
Data/Hora: 13 de junho de 2026, às 19h (de Brasília)
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
Público: 80.663 torcedores
Cartões Amarelos: Ibañez e Casemiro (Brasil)
Gols: Saibari aos 21’/1ºT (0-1) e Vini Jr. aos 32’/1ºT (1-1)
Escalações:
Brasil: Alisson; Ibañez (Danilo), Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos) e Lucas Paquetá (Matheus Cunha); Raphinha, Vini Jr. e Igor Thiago (Luiz Henrique). Técnico: Carlo Ancelotti.
Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); Buaddi, El Aynaoui e El Khannous (Amaimouni); Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e Saibari (Rahimi). Técnico: Mohamed Ouahbi.


