Fenômeno climático provocará chuvas acima da média no Sul e tempo seco no Norte e Nordeste; governo federal cria sala de situação para monitorar “Super El Niño”.
Por Bruno de Freitas Moura — Repórter da Agência Brasil — Publicado em 19/06/2026 09:31
O inverno no Hemisfério Sul começa oficialmente às 5h25 do próximo domingo (21). Tradicionalmente marcada por baixas temperaturas, a nova estação terá características atípicas em 2026. Em decorrência do fenômeno climático El Niño, os brasileiros devem sentir menos frio ao longo dos próximos três meses.
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A projeção consta em um estudo divulgado nesta quinta-feira (18) pela consultoria de meteorologia Nottus. O fenômeno, que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico, teve o seu início confirmado recentemente pela Agência de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa).
Termômetros Altos e Bloqueio de Ondas de Frio
De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus, a estação até pode começar com marcas mais baixas nos termômetros, mas a tendência mudará rapidamente. “Os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”, explica.
A combinação de períodos mais secos e ventos vindos do Norte vai favorecer a elevação gradual das temperaturas na segunda metade do inverno. O especialista pondera que episódios de frio ainda vão ocorrer, porém serão eventos curtos e de rápida passagem.
Veranicos e Ondas de Calor: O interior do país e a região central devem registrar a presença de “veranicos” (períodos de tempo seco e calor atípico no inverno). A partir de agosto, o cenário pode evoluir para ondas de calor em diversas áreas do interior brasileiro.
Comportamento do Clima Mês a Mês
O estudo detalha como as frentes de chuva e massas de ar vão se comportar no território nacional até o fim da estação:
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Julho: Previsão de volumes de chuva acima da média histórica entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a instabilidade ganha força a partir do interior.
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Agosto: Chuvas concentradas no extremo norte do país, na faixa leste do Nordeste e na Região Sul. Por outro lado, o período seco e típico se estabelece em Goiás, Minas Gerais e no interior nordestino.
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Setembro: As chuvas ganham ainda mais intensidade na Região Sul, superando as médias climatológicas. Já as faixas norte e leste do Nordeste enfrentarão estiagem.
Apesar do indicativo de chuvas volumosas para os estados do Sul, a Nottus descarta, no momento, o risco de temporais com o mesmo potencial devastador dos eventos extremos registrados no Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024.
Ameaça de um “Super El Niño” e Impacto na Energia
A grande preocupação dos meteorologistas está voltada para o período que compreende setembro de 2026 e fevereiro de 2027. Dados da Noaa apontam uma probabilidade elevada de o fenômeno evoluir para a categoria de Super El Niño, que ocorre quando o aquecimento do oceano supera os 2,5°C acima da média.
Para coordenar as ações de resposta e mitigação de desastres, o governo federal já instituiu uma Sala de Situação Interministerial. O fenômeno deve estender seus efeitos até o primeiro semestre de 2027, gerando impactos diretos no Sistema Interligado Nacional (SIN):
| Período de Análise | Impacto no Setor Elétrico | Diagnóstico Técnico |
| Inverno / Final de 2026 | Benéfico | A chegada de chuvas regulares no Sul e em partes do Sudeste ajuda a manter o nível dos reservatórios das hidrelétricas. |
| Primeiro Trimestre de 2027 | Preocupante | Ondas de calor severas devem inflar o consumo de energia (ar-condicionado), enquanto a falta de chuvas no Norte e Nordeste pressionará o sistema. |
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