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Guerra no Médio Oriente pode empurrar até 23,4 milhões de crianças para a pobreza em todo o mundo, alerta Unicef

Relatório baseado em dados de 167 países mostra que a inflação de alimentos e combustíveis reverte anos de progresso; Ásia e África concentram 80% do aumento projetado.

Por Agência Lusa – Publicado em 16/07/2026 14:26 – Foto: Reuters/Ebrahim Hajjaj

Até 23,4 milhões de crianças em todo o mundo poderão ser empurradas para a pobreza até ao fim do ano em decorrência do impacto econômico indireto da guerra no Médio Oriente. O alerta consta de um relatório publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na quarta-feira (15), elaborado com base em dados coletados em 167 países. De acordo com o documento, a escalada dos preços de alimentos e energia, combinada com a desaceleração da economia global, ameaça reverter décadas de avanços sociais e aprofundar as desigualdades.

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O estudo analisa o conceito de pobreza monetária, que abrange menores residentes em lares com rendimento abaixo das linhas de pobreza internacionais. Em um cenário considerado apenas “adverso”, o relatório estima que 18,3 milhões de crianças entrarão nessa faixa de vulnerabilidade. No entanto, em um panorama “grave” — caracterizado pelo prolongamento ou intensificação das hostilidades —, o número de novas crianças afetadas salta para a projeção limite de 23,4 milhões.

Os custos invisíveis da guerra longe das frentes de batalha

“A infância está a pagar o preço da escalada do conflito no Médio Oriente, incluindo crianças que vivem longe dessa região”, destacou em comunicado oficial a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell. Ela frisou que o encarecimento drástico do custo de vida impossibilitará que muitas famílias comprem comida e financiem a educação dos filhos, o que gera privações profundas com potencial de gerar sequelas ao longo de toda a vida adulta dos menores.

A análise aponta que o aumento da pobreza infantil não será distribuído de forma homogênea. Cerca de 80% do acréscimo de novos casos estará concentrado na Ásia e, principalmente, no continente africano, que historicamente já convive com as maiores taxas de vulnerabilidade a choques financeiros externos e possui menor margem fiscal interna para subsidiar serviços básicos.

Gargalo logístico e encarecimento da ajuda humanitária

O relatório cita exemplos práticos de como tensões geopolíticas distantes desestruturam economias fragilizadas. Na Somália, o preço dos combustíveis duplicou poucos dias após o agravamento do conflito em fevereiro, gerando um efeito cascata que encareceu a água potável, a alimentação básica e o frete logístico de insumos essenciais.

Na Etiópia, as rotas de navegação comercial e as interrupções de tráfego ligadas ao Estreito de Ormuz provocaram uma alta de 31% no preço do gás e entre 50% e 70% no valor do óleo diesel utilizado pelas próprias frotas de apoio das organizações humanitárias da ONU.

Para frear o retrocesso social, o Unicef fez um apelo urgente a governos de países doadores e a instituições financeiras internacionais. A agência defende a preservação do orçamento de áreas vitais como saúde, nutrição e educação primária, além de cobrar medidas macroeconômicas coordenadas, como a suspensão ou reestruturação de dívidas externas de nações vulneráveis para abrir espaço fiscal de proteção à infância.

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