Celebrado em 8 de agosto, o Dia Nacional de Combate ao Colesterol reforça a importância do diagnóstico precoce e da mudança no estilo de vida para combater uma das principais causas de mortalidade no país.
Por Redação – Publicado em 08/08/2026 – 22:15 – Foto: Reprodução
Neste sábado (8), comemora-se o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, data criada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em 2003 para conscientizar a população sobre os riscos das dislipidemias e a prevenção de doenças cardiovasculares. Estimativas da SBC apontam que cerca de 40% dos adultos brasileiros apresentam níveis alterados de colesterol no sangue.
De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares provocam aproximadamente 300 mil mortes por ano no Brasil. O acúmulo de LDL-colesterol (o chamado “colesterol ruim”) é o principal responsável pela formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), o que pode levar a quadros severos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença arterial periférica e morte súbita.
A Dra. Airma Cutrim, cardiologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, ressalta que o maior perigo reside no caráter assintomático do problema.
”O grande desafio é que o colesterol alto, na imensa maioria dos casos, é totalmente assintomático. A pessoa pode permanecer muitos anos com o LDL elevado sem sentir absolutamente nada”, explica a médica.
Crescimento entre jovens, crianças e fatores genéticos
Embora o risco aumente naturalmente com o envelhecimento — em especial entre mulheres após a menopausa, devido à queda do estrogênio —, o colesterol alto deixou de ser um problema exclusivo dos idosos.
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indicam que 25% das crianças e adolescentes brasileiros já apresentam alterações taxas lipídicas. Esse avanço está diretamente associado ao aumento da obesidade infantil, sedentarismo, consumo exagerado de ultraprocessados e excesso de tempo em frente às telas.
Além dos hábitos, há a hipercolesterolemia familiar, uma condição de origem genética que provoca níveis altíssimos de LDL desde o nascimento e pode permanecer sem diagnóstico por décadas se não houver investigação prévia.
Diagnóstico e metas de LDL
O diagnóstico é realizado por meio do lipidograma (exame de sangue), recomendado a todos os adultos a partir dos 20 anos. O exame avalia os níveis de colesterol total, LDL, HDL, colesterol não HDL, triglicerídeos e lipoproteína(a).
Embora a referência de laboratório para o colesterol total seja manter-se abaixo de 200 mg/dL, a conduta médica atual baseia-se prioritariamente nas metas do LDL conforme o risco cardiovascular do paciente:
Baixo risco: LDL < 130 mg/dL
Risco intermediário: LDL < 100 mg/dL
Alto risco: LDL < 70 mg/dL
Risco muito alto: LDL < 50–55 mg/dL
Estratégias de prevenção e tratamento
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a SBC recomendam a prática de 150 a 300 minutos semanais de atividades físicas aeróbicas moderadas (ou 75 a 150 minutos de atividades vigorosas), o abandono do tabagismo, a redução do álcool e o controle do peso corporal.
Na alimentação, a orientação é priorizar comida in natura ou minimamente processada:
Evitar: Frituras, embutidos, carnes gordas, ultraprocessados e gorduras trans/saturadas.
Priorizar: Frutas, legumes, verduras, alimentos ricos em fibras (aveia, feijão, psyllium), azeite de oliva, abacate, castanhas e peixes ricos em ômega-3 (sardinha e salmão).
”A prevenção continua sendo a melhor estratégia para proteger a saúde do coração. Pequenas mudanças no estilo de vida e o acompanhamento médico periódico podem diminuir significativamente o risco de doenças cardiovasculares”, conclui a Dra. Airma Cutrim.


