Especialista do HBU aponta que uso de cigarros eletrônicos, estimulantes e hormônios sem controle médico tem mudado o perfil dos pacientes cardiovasculares no Brasil
Por Redação- Publicado em 30/04/2026 às 10:29
O crescimento de casos de infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre jovens tem gerado preocupação em profissionais de saúde de todo o país. Dados recentes indicam uma mudança drástica no perfil dos pacientes: ocorrências que antes eram restritas a idosos agora atingem pessoas mais jovens, muitas delas em idade universitária.
De acordo com o cardiologista do Hospital Beneficente Unimar (HBU), Dr. Piero Biteli, essa mudança está diretamente ligada a novos comportamentos de risco, como o uso de vapes, substâncias estimulantes e hormônios sem acompanhamento.
O perigo invisível dos cigarros eletrônicos
Embora proibidos pela Anvisa desde 2009, os dispositivos eletrônicos para fumar (vapes) tiveram um crescimento de consumo superior a 30% em algumas regiões. A falsa percepção de que são menos prejudiciais é um dos maiores riscos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que esses dispositivos contêm nicotina em altas concentrações e substâncias tóxicas que causam inflamações arteriais e hipertensão, elevando drasticamente as chances de eventos cardíacos precoces.
Estimulantes acadêmicos e performance estética
Outro fator crítico apontado pelo Dr. Piero é o uso indiscriminado de anfetaminas por estudantes que buscam aumentar o desempenho acadêmico.
“O uso dessas substâncias sobrecarrega o organismo. Quando associado a noites mal dormidas, consumo de álcool e estresse, o risco cardiovascular aumenta significativamente”, destaca o médico.
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Alterações metabólicas graves;
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Aumento da pressão arterial;
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Maior risco de eventos trombóticos (coágulos).

Prevenção: O jovem também é grupo de risco
O cenário atual exige uma mudança de mentalidade. Jovens universitários e adultos precoces muitas vezes não se percebem como vulneráveis a doenças do coração, mas o estilo de vida contemporâneo tem provado o contrário.
Medidas fundamentais de prevenção:
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Prática regular de atividade física orientada;
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Sono reparador (mínimo de 7 a 8 horas);
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Alimentação equilibrada;
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Check-up médico regular, especialmente antes de iniciar uso de suplementos ou treinos intensos.
“Existe uma cultura de desempenho e estética que ignora os limites do corpo. A conscientização é a única forma de frear esse aumento de casos graves em faixas etárias tão baixas”, finaliza o Dr. Piero Biteli.


