O maior Mundial da história tem seu pontapé inicial hoje no lendário Estádio Azteca com o duelo entre México e África do Sul. Marcada pela expansão para 48 países e regras inéditas para aumentar o tempo de bola rolando, a competição da Fifa abre as portas dividida em três sedes e cercada por severas restrições diplomáticas e protestos locais.
Por ge – Publicado em 11/06/2026 08:15 – Foto: Hector Vivas/Getty Images
A contagem regressiva chegou ao fim. A 23ª edição da Copa do Mundo de Futebol Masculino começa oficialmente nesta quinta-feira (11), consolidando-se como a maior, mais longa e mais complexa estrutura de torneio já desenhada pela Fifa. Sediada conjuntamente por Canadá, Estados Unidos e México, a competição rompe a barreira histórica das 32 seleções e passa a abrigar 48 países, totalizando um contingente de 1.248 atletas inscritos.

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A expansão do formato inflou significativamente o calendário esportivo: serão disputadas 104 partidas ao longo de 39 dias de confinamento e disputas. Para dar conta do volume de jogos, a fase de mata-mata ganhou uma etapa preliminar: os 12 grupos de quatro equipes classificarão os dois primeiros colocados de cada chave, além dos oito melhores terceiros colocados gerais, que se enfrentarão em uma inédita rodada de 16-avos de final.
A abertura oficial e o primeiro jogo — entre a seleção mexicana e a África do Sul — ocorrem no místico Estádio Azteca, na Cidade do México. A cerimônia de abertura oficial da Copa do Mundo começa às 14h30 (horário de Brasília). Após os shows, a bola rola para o pontapé inicial do torneio entre México e África do Sul às 16h (horário de Brasília). O palco se torna o único do planeta a receber três aberturas de Copa (repetindo os feitos de 1970 e 1986). A grande final, por sua vez, está agendada para o dia 19 de julho no MetLife Stadium, situado em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O trio de arbitragem do confronto inicial será liderado pelo brasileiro Wilton Pereira Sampaio.
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Abertura Tripla e Protestos na Capital Mexicana
O protocolo festivo no Estádio Azteca está programado para começar às 14h30 (de Brasília), 90 minutos antes do apito inicial. O espetáculo musical terá como protagonistas a estrela colombiana Shakira e o cantor nigeriano Burna Boy, que interpretarão juntos “Dai Dai”, a canção oficial do Mundial. Nomes de peso da música latina como J Balvin, Danny Ocean, Belinda e Alejandro Fernández também subirão ao palco. Por ser um torneio compartilhado, Canadá e Estados Unidos realizarão festas de abertura descentralizadas em seus respectivos jogos de estreia, com destaque para a participação da brasileira Anitta no show de Los Angeles.
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Contudo, os arredores do Azteca devem refletir o clima de instabilidade social interna do México. Movimentos sindicais, coletivos de direitos humanos e organizações de professores organizaram marchas em direção ao complexo esportivo em protesto contra a reforma educacional e mudanças no sistema de previdência social. As estimativas das forças de segurança locais apontam a presença de pelo menos 5 mil manifestantes na capital.
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Guerra Fria na Fronteira e Vistos Negados
Se os protestos internos incomodam os organizadores, a geopolítica global transformou os bastidores da Copa em um verdadeiro campo minado. O torneio inicia em meio a um conflito armado internacional deflagrado em fevereiro entre os Estados Unidos e o Irã. O presidente americano, Donald Trump, chegou a classificar publicamente a participação do país persa no torneio como “inapropriada” sob a justificativa de riscos à segurança.
Como reflexo, a delegação do Irã foi submetida a restrições severas. A equipe montou base em Tijuana, no México, e só possui autorização das autoridades migratórias dos EUA para cruzar a fronteira rumo aos estádios americanos no dia anterior aos confrontos, sendo obrigada a retornar ao território mexicano logo após o término dos jogos. Além disso, o governo dos EUA barrou a entrada de 15 funcionários de alto escalão da Federação Iraniana (FFIRI) — incluindo seu presidente, Mehdi Taj — e revogou a carga de ingressos de torcedores iranianos. Em contrapartida, Teerã notificou a Fifa que a equipe abandonará os gramados caso ocorram manifestações políticas hostis nas arquibancadas.
O rigor das fronteiras norte-americanas gerou ruídos com outros participantes. Omar Abdulkadir Artan, da Somália, considerado o principal árbitro do continente africano, teve seu visto de entrada sumariamente negado pelos EUA. Adicionalmente, o atacante iraquiano Aymen Hussein foi retido e interrogado por sete horas ao desembarcar em solo americano, e delegações estrangeiras denunciaram revistas invasivas com o uso intenso de cães farejadores na chegada aos hotéis.
Guerra Contra a “Cera” e Expansão do VAR
Dentro das quatro linhas, a International Board (IFAB) e a Fifa utilizam a Copa do Mundo de 2026 como a grande vitrine de um novo conjunto de regras do futebol. A principal novidade tecnológica é a ampliação do escopo do VAR (Árbitro de Vídeo), que agora poderá intervir e corrigir decisões equivocadas de campo no caso de aplicação do segundo cartão amarelo e em marcações errôneas de escanteios ou tiros de meta.
Para asfixiar a tradicional “cera” e aumentar o tempo de bola rolando, os árbitros aplicarão uma contagem regressiva rigorosa, sinalizada visualmente com os braços:
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Laterais e Tiros de Meta: O cobrador terá o limite estrito de 5 segundos para recolocar a bola em jogo. O estouro do tempo acarreta a reversão do lance (no caso do lateral) ou a concessão de um escanteio ao adversário (no caso do tiro de meta).
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Substituições Dinâmicas: O atleta substituído tem até 10 segundos para cruzar a linha lateral (salvo lesões graves). Se estourar o limite, o substituto será punido com uma retenção forçada de 60 segundos na linha de toque, deixando sua equipe temporariamente com um jogador a menos.
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Atendimento Médico Punitivo: Jogadores que solicitarem a entrada da maca ou da equipe médica em campo terão de aguardar 1 minuto fora do gramado antes de receberem autorização de retorno, penalizando o antijogo.
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Punições Comportamentais: Passa a ser punido com cartão vermelho direto o jogador que obstruir a boca com a mão, braço ou camisa para desferir insultos ocultos durante discussões, bem como atletas ou técnicos que abandonarem o campo como protesto contra a arbitragem.
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O Caminho do Brasil e os Favoritos ao Título
A Seleção Brasileira, comandada pelo técnico italiano Carlo Ancelotti, inicia sua jornada rumo ao hexacampeonato sob desconfiança internacional, ocupando a 6ª colocação do Ranking da Fifa. Integrante do Grupo C, o Brasil faz sua estreia neste sábado (13), às 19h (de Brasília), contra o Marrocos. Na sequência da primeira fase, enfrenta o Haiti no dia 19 e encerra a etapa de grupos contra a Escócia, em 24 de junho. Caso se classifique nas primeiras posições de sua chave, o cruzamento colocará os brasileiros contra adversários do Grupo F (Holanda, Suécia, Japão ou Tunísia).

No topo das apostas e do prestígio técnico aparecem a atual campeã mundial Argentina, liderada por Lionel Messi (apesar de desembarcar na América do Norte com uma lista de dez atletas lesionados), e a atual campeã da Eurocopa, a Espanha, do garoto Lamine Yamal. A vice-campeã mundial França, que ostenta astros do calibre de Mbappé, Dembélé e Olise, corre no pelotão principal de favoritos.
A Dança das Gerações e Críticas aos Ingressos
O torneio é envolto em uma atmosfera nostálgica, pois deve simbolizar a última dança em Copas de lendas vivas como Lionel Messi (Argentina), Cristiano Ronaldo (Portugal), Manuel Neuer (Alemanha), Luka Modrić (Croácia) e Guillermo Ochoa (México), além do brasileiro Neymar. Em contrapartida, os holofotes se voltam para a nova geração, encabeçada pelo espanhol Yamal (18 anos), o francês Désiré Doué (20 anos), o brasileiro Endrick (19 anos) e o atleta mais jovem do torneio, o meia mexicano Gilberto Mora, de apenas 17 anos.
Apesar de toda a magnitude comercial, a Fifa enfrenta o fantasma das arquibancadas vazias. A venda de ingressos registrou desempenho muito abaixo das projeções originais, motivada pelos valores exorbitantes das entradas — o bilhete médio para a finalíssima em Nova Jersey está cotado na casa dos US$ 13 mil (cerca de R$ 65 mil). A precificação abusiva recebeu duras críticas inclusive de autoridades políticas, com o presidente dos Estados Unidos declarando que não pagaria tais cifras para assistir a um evento esportivo.
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