Nova sobretaxa imposta pelo governo norte-americano atinge siderurgia, vestuário e etanol; Itamaraty repudia a medida e anuncia acionamento da Lei de Reciprocidade e da OMC.
Por Redação – Publicado em 16/07/2026 11:13
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil. Apesar do impacto da medida, itens cruciais da balança comercial brasileira — como equipamentos de aviação civil, petróleo bruto, carne bovina e café — foram poupados do tarifaço. Juntos, esses quatro setores responderam por um terço de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano no primeiro semestre deste ano.
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Também ficaram de fora da taxação extra matérias-primas e insumos agrícolas como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja. De acordo com o USTR, as isenções foram concedidas a produtos que os EUA não conseguem produzir internamente em quantidade suficiente ou a custos competitivos, uma estratégia adotada para evitar o desabastecimento de indústrias locais e a escalada de preços ao consumidor norte-americano.
Setores atingidos e justificativa de Washington
Se por um lado os combustíveis fósseis e as commodities agrícolas tradicionais escaparam, o setor manufatureiro nacional sofreu um duro golpe. A sobretaxa de 25% incidirá diretamente sobre:
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Ferro e aço (siderurgia);
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Vestuário e calçados;
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Açúcar e etanol;
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Produtos farmacêuticos;
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Maquinário agrícola e equipamentos elétricos (não voltados à aviação).
As novas tarifas entram em vigor no próximo dia 22 de julho. O órgão de comércio dos EUA justificou a barreira tarifária alegando que investigações internas apontaram “práticas descabidas” adotadas pelo Brasil que, segundo a ótica de Washington, oneram e criam restrições desleais ao comércio de produtores, trabalhadores e inovadores estadunidenses.
Reação de Brasília e acionamento da OMC
O governo brasileiro reagiu com forte repúdio à decisão unilateral norte-americana. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo USTR e sustentou que inexistem fundamentos técnicos ou econômicos que justifiquem as barreiras impostas.
Como resposta imediata, o Palácio do Planalto anunciou que iniciará os trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade — dispositivo aprovado de forma unânime pelo Congresso Nacional que autoriza o país a impor taxas equivalentes sobre importações vindas dos EUA. Paralelamente, o governo brasileiro confirmou que levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter a sanção.
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