HomeDireitos HumanosFestas de fim de ano devem unir gerações e incluir idosos

Festas de fim de ano devem unir gerações e incluir idosos

Agência Brasil- Publicado em 25/12/2025

Olinda Castilho Escobal, de São Paulo, tem 81 anos e não vê a hora de chegar a festa de Natal, para comemorar com a família.

“A gente é bem entrosado, eu com meus filhos”, contou à Agência Brasil. “A gente sempre faz festa, comemora aniversários, sai e vai para restaurantes. A gente é bem animado”.

Para o Natal 2025, ela vai fazer uma “pizzaiada” na véspera e um churrasco no dia 25. “Meu filho montou a churrasqueira para churrasco e pizza. Ele fez uma cobertura e nós vamos passar todos aqui na minha casa”.

Somando os três filhos, dois netos, a bisnetinha de 2 anos, nora e genros, serão ao todo dez pessoas, incluindo a própria anfitriã.

Rio de Janeiro (RJ), 17/12/2025 – Olinda Castilho Escobal – Festas de Natal devem reunir várias gerações, favorecendo a inclusão

Família de Dona Olinda se reúne sempre para comemorações. Olinda Castilho Escobal/Arquivo pessoal

Tania Santana Madalena, de 80 anos, moradora do Rio de Janeiro, também reúne filhos, genros, nora e netos para todas as festividades, repetindo um hábito que começou ainda jovem, quando ela e as cunhadas levavam os filhos pequenos na casa da sogra aos domingos.

“Os nossos filhos foram criados como irmãos e foram se acostumando, junto aos mais velhos também. Sempre foi assim”, disse à Agência Brasil. Na véspera do Natal, as famílias passavam as festas na casa da mãe dela e, no dia do Natal, com a sogra. O mesmo costume se mantém até hoje, reunindo pessoas de todas as gerações.

As festas de fim de ano devem ser momentos de integração e troca entre gerações, ressaltou à Agência Brasil a psicóloga e membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Valmari Cristina Aranha Toscano.

“Na verdade, essa época é cheia de significados afetivos para todas as pessoas, principalmente para as mais velhas, porque tanto é uma época de encontrar familiares, de poder retomar e construir memórias, como é um momento em que as famílias se reencontram. Mesmo as pessoas que não têm muita frequência no dia a dia, ao menos uma vez ao ano, nas festas, elas se encontram”.

A psicóloga destaca que, além das questões positivas, esse é um momento em que também as ausências ficam mais latentes.

“As pessoas se lembram dos que não estão presentes, seja pela questão real de uma perda por morte ou por ruptura, por viagem. E as pessoas idosas participarem é muito importante, não só como convidadas ou como figurantes, mas também como participantes ativas e protagonistas desse evento”, sugeriu.

Valmari Toscano argumentou ainda que, embora, naturalmente, os mais jovens assumam as responsabilidades de comprar presentes ou preparar determinado prato, “é de extrema importância que as pessoas idosas, principalmente as mais longevas, sejam incluídas e se sintam pertencentes ao grupo familiar”.

“O contato com a família é sempre importante mas, nesta época, é essencial, pois é tempo de encontro de gerações, retomada de tradições familiares e construção de novas memórias”.

Rio de Janeiro (RJ), 17/12/2025 – Tania Santana Madalena – Festas de Natal devem reunir várias gerações, favorecendo a inclusão.

Foto:Tania Santana Madalena/Arquivo pessoal . Festa de Natal de Dona Tânia reúne várias gerações Tania Santana Madalena/Arquivo pessoal

Ainda ⁸. Mas família não é só quem tem o mesmo sangue da gente. Existem grupos familiares e sociais. Quantas vezes você vê pessoas que se agregam para passar as festas juntos? É um momento de confraternização. Às vezes, você mesmo não tem família, mas tem um grupo de amigos muito ativos”.

Ela acrescentou que, no caso de pessoas mais longevas, dificilmente uma com 80 e poucos anos vai ter um grupo de amigos octogenários ou nonagenários, mas há pessoas com as quais convive, afilhados, vizinhos.

“A gente vê experiências das pessoas que comemoram no mesmo andar, que vão cko⁹om o grupo da academia, da igreja, do trabalho voluntário. O importante é não estar sozinho, porque é uma época que remete muito a essa ideia da confraternização, do agregar pessoas. Então, para quem é solitário, essa é uma época muito difícil, muito triste”.

Quando perceber que tem alguém do seu círculo que está sozinho que vai passar a data sozinho, convide, propôs a psicóloga.

“Traga para o seu seio, porque, às vezes, até dilui as polaridades familiares. Se tiver alguém de fora, a família segura a onda. Funciona também para trazer uma experiência diferente, uma energia diferente”.

A ideia da solidariedade é muito boa também para o nosso psíquico, destacou. “É você poder oferecer alguma coisa boa a alguém e sem esperar receber dessa mesma pessoa, em troca”.

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