Dados da Fundação Getulio Vargas apontam o alimento no topo das pressões inflacionárias do IGP-10; na contramão, tarifa de ônibus urbano, maçã e celulares registram queda no período
Por Portal do Agronegócio – Publicado em 19/05/2026 às 15:35
O leite longa vida voltou a pesar no orçamento das famílias brasileiras e assumiu o protagonismo dos indicadores econômicos neste mês. De acordo com o relatório do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o produto acumulou uma expressiva alta de 13,85% em maio, posicionando-se no topo da lista de pressões inflacionárias ao consumidor.
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Apesar do forte impacto do laticínio no varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) registrou uma desaceleração global. Após avançar 0,88% em abril, o indicador fechou o mês de maio em 0,68%. Essa perda de ritmo na inflação reflete uma retração importante nos preços de outros itens de consumo diário essencial, equilibrando parcialmente a balança econômica.
Energia, Combustíveis e Gás Elevam Custos de Produção
O levantamento detalhado da FGV aponta que o encarecimento do custo de vida não ficou restrito às prateleiras de alimentos. O consumidor também enfrentou reajustes em tarifas estruturais e produtos de uso pessoal.
Entre as principais altas registradas no mês, destacam-se:
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Perfume: +6,64%
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Gás de botijão: +2,60%
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Energia elétrica residencial: +1,64%
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Gasolina: +0,80%
Para o agronegócio, o avanço simultâneo da energia elétrica e dos combustíveis gera um efeito cascata preocupante sobre as margens operacionais. Na pecuária leiteira, a eletricidade é um insumo crítico, responsável por manter ativos os sistemas automatizados de ordenha mecânica, refrigeração rápida do leite cru e tanques de armazenamento. Paralelamente, as oscilações nos combustíveis encarecem o frete rodoviário, afetando diretamente a cadeia logística de transporte de insumos e o escoamento da produção rural.
O Que Ficou Mais Barato em Maio?
Para conter um avanço mais agressivo do índice inflacionário, alguns setores registraram deflação e ajudaram a aliviar o bolso do trabalhador. No segmento de transportes e tecnologia, houve queda no preço médio de aparelhos celulares (-0,84%) e na tarifa de ônibus urbano, que encolheu 1,20%.
No carrinho de compras, a maior retração veio do setor de hortifrúti, com a maçã registrando uma queda de 4,59%. O café em pó ficou 2,37% mais barato e o etanol recuou 1,76%. A queda no preço do biocombustível é vista de forma estratégica pelo setor produtivo, pois impacta de maneira positiva a gestão de frotas agrícolas e o transporte diário em regiões de forte atividade canavieira, onde predominam os veículos flex.
O mercado de lácteos segue sob forte monitoramento do agronegócio. Por possuir um peso representativo nos índices oficiais de inflação, as variações de preço do leite longa vida servem como termômetro para a indústria avaliar as tendências reais de consumo das famílias, os custos de produção no campo e a perspectiva de rentabilidade para o segundo semestre.
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