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Preço do feijão dispara no Brasil com geadas, escassez e retenção de oferta no campo

Mercado do feijão carioca atinge patamares históricos acima de R$ 470 por saca, enquanto feijão preto ganha força com migração da demanda e temor climático no Sul

Por Portal do Agronegócio – Publicado em 15/05/2026 – 17:22

O mercado brasileiro de feijão atravessa um dos períodos de maior tensão dos últimos anos. A combinação de estoques historicamente apertados, retenção de oferta por parte dos produtores e fortes ameaças climáticas sobre a segunda safra de 2025/26 fez as cotações dispararem, quebrando recordes históricos nas principais praças produtoras e de consumo do país.

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Segundo análise de Evandro Oliveira, especialista da Safras & Mercado, o cenário atual é de um severo aperto estrutural no abastecimento, afetando de forma drástica a disponibilidade de lotes comerciais de alta qualidade.

Feijão Carioca atinge patamares nunca antes vistos

A falta crônica de grãos considerados “nota 9 ou superiores” (lotes comerciais extras) transformou as negociações no mercado físico em uma disputa acirrada. A tradicional “Bolsinha” de São Paulo operou com volumes baixíssimos, frequentemente inferiores a 2 mil sacas por pregão, movimentada apenas por análise de amostras pontuais.

Esse apagão de oferta fez os preços romperem tetos históricos:

  • Mercado FOB (Interior de SP e Noroeste de MG): A saca do feijão carioca extra quebrou a barreira dos R$ 430.

  • Operações CIF (Capital Paulista): Negócios pontuais de lotes nobres foram validados próximos a impressionantes R$ 470 por saca.

  • Padrões Intermediários: Pela falta do produto extra, os feijões regulares passaram a ser integrados pelas empacotadoras e também romperam a faixa dos R$ 400 por saca no interior paulista.

Clima e Geadas colocam a Segunda Safra em risco

Os problemas começaram com atrasos no plantio e excesso de chuvas no Paraná e em Minas Gerais, o que já havia reduzido a área cultivada. Agora, a preocupação central dos produtores mudou de foco: o risco iminente de geadas severas no Sul do país.

“As geadas começaram a ser monitoradas como uma ameaça real para a peneira, para o enchimento dos grãos e para a qualidade final da produção que ainda está no campo”, alerta Evandro Oliveira.

Com as indústrias operando no limite mínimo de reposição e sem estoques reguladores, qualquer perda na colheita atual impossibilitará uma recuperação rápida da oferta, sustentando o viés de alta no curto prazo.

Feijão Preto pega carona na alta por substituição

O feijão preto, que vinha operando com demanda enfraquecida e baixa liquidez, mudou drasticamente de comportamento e registrou valorizações expressivas ao longo da semana.

O motivo principal é econômico: a disparada do carioca forçou os consumidores e compradores mais sensíveis aos preços de gôndola a migrarem parcialmente para o feijão preto, equilibrando o orçamento doméstico.

As cotações responderam imediatamente a esse aumento de demanda:

  • Em São Paulo: A saca do feijão preto Tipo 1 extra saltou da faixa de R$ 186 para patamares acima de R$ 220.

  • No Paraná e Santa Catarina: Os preços de balcão subiram de uma média de R$ 160 para valores próximos a R$ 200 por saca.

Como boa parte da segunda safra paranaense é composta pela variedade preta, o monitoramento das frentes frias e geadas no Sul continuará sendo o principal termômetro para precificação do produto nas próximas semanas.

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