Ministro Kassio Nunes Marques atendeu a pedido do PL e apontou indícios de ‘contaminação metodológica’ e indução de respostas em questionário sobre áudio vazado.
Por Márcio Falcão, g1 e TV Globo — Brasília – Publicado em 08/06/2026 às 16:55 – Foto: Nelson Jr/STF
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação e a retirada de circulação dos canais oficiais da pesquisa do Instituto AtlasIntel sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento, realizado em maio, apontava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do parlamentar após o vazamento de um áudio em que ele pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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A decisão atende a um pedido de impugnação feito pelo Partido Liberal (PL). A legenda alegou que o questionário, aplicado a 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, utilizou perguntas indutivas estruturadas para criar uma narrativa de campanha negativa e acusatória contra o pré-candidato, desvirtuando a função informativa das pesquisas eleitorais.
Indícios de indução e estrutura do questionário
Para o ministro Nunes Marques, há elementos que indicam uma possível contaminação metodológica. Das 49 perguntas que compunham a pesquisa, 8 envolviam diretamente o Banco Master e o áudio vazado. O PL demonstrou que a sequência de questionamentos criava uma progressão de estímulos negativos ao abordar temas como medo eleitoral, fraudes financeiras e conversas vazadas antes de medir o impacto sobre o voto.
“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”, argumentou o ministro em sua decisão.
Entre as perguntas apontadas como prejudiciais pelo partido estavam questionamentos sobre em quem o eleitor confiava mais para administrar o país (Lula ou Flávio Bolsonaro), qual resultado eleitoral causava mais preocupação e qual grupo político estaria envolvido em esquemas no Banco Master. Nunes Marques também ressaltou que outras 27 pesquisas anteriores da AtlasIntel não apresentavam esse padrão de questionário.
Instituto defende metodologia e aguarda análise do plenário
Em nota oficial, a AtlasIntel informou que respeita a determinação do tribunal e que está fornecendo todas as informações técnicas e esclarecimentos necessários à Justiça Eleitoral. O instituto defendeu a robustez do estudo e explicou que o áudio de Flávio Bolsonaro não era reproduzido para os entrevistados durante a aplicação do questionário de intenção de voto.
Segundo a empresa, os participantes eram redirecionados para uma página separada contendo perguntas informativas somente após o encerramento definitivo e gravação das respostas eleitorais, sem chance de retorno. A AtlasIntel afirmou ainda que pesquisas posteriores de outros institutos identificaram a mesma tendência de impacto do episódio na imagem do candidato do PL.
Relatoria e mudanças no juízo auxiliar do TSE
A decisão individual de Kassio Nunes Marques deve ser levada para referendo do plenário do TSE na sessão desta terça-feira (9). O Ministério Público Eleitoral (MPE) também foi acionado para se manifestar no processo.
Recentemente, Nunes Marques assumiu a relatoria de três representações eleitorais de grande repercussão envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o caso do Banco Master e a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A centralização dos casos ocorreu após o ministro publicar uma portaria se autodesignando, junto ao vice-presidente da Corte, André Mendonça, como juízes auxiliares para as eleições de 2026.
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