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Nova fase da Operação Disclosure mira acionistas da Americanas e executivos de grandes bancos

Polícia Federal cumpre mandados contra os bilionários Sicupira e Paulo Lemann, além de diretores do Itaú, Bradesco e Santander; Justiça Federal ordena bloqueio recorde de até R$ 54 bilhões.

Por Camila Bomfim, Mahomed Saigg, Mariana Laboissière, g1 e GloboNews – Publicado em 25/06/2026 14:10

A Polícia Federal (PF), com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), deflagrou na manhã desta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure. O objetivo central da nova ofensiva é esclarecer se os acionistas de referência da Americanas e executivos de instituições financeiras de grande porte tinham conhecimento prévio ou participação direta no bilionário esquema de fraude contábil que implodiu a varejista.

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Ao todo, agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão em endereços de luxo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Diante da gravidade das suspeitas, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou uma medida patrimonial drástica: o bloqueio de bens e valores que podem alcançar a cifra de R$ 54 bilhões.

Quem São os Alvos da Nova Fase

Desta vez, a força-tarefa mirou o topo da pirâmide financeira e corporativa ligada à companhia. Os mandados dividem-se em dois núcleos principais:

  • Acionistas de Referência e Operadores:

    • Carlos Alberto da Veiga Sicupira (sócio histórico da varejista);

    • Paulo Alberto Lemann (investidor e filho de Jorge Paulo Lemann — este último não é alvo da ação);

    • Eduardo Saggioro Garcia (apontado pelos investigadores como o operador direto dos grandes sócios).

  • Executivos de Instituições Financeiras:

    • José de Castro Araújo Rudge Júnior e Gustavo Balassiano (Itaú Unibanco);

    • Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco);

    • André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo (Santander).

A Linha de Investigação: Conhecimento Prévio do Rombo

Segundo a PF e o MPF, as provas colhidas indicam que a antiga diretoria da Americanas operava uma estrutura criminosa para inflar artificialmente os balanços, omitindo dívidas para ludibriar o mercado e manter as ações valorizadas. Os novos alvos entram na mira sob a suspeita de que sabiam das manobras que se estendiam por anos.

“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, informou a Polícia Federal em nota oficial. As condutas configuram, em tese, os crimes de associação criminosa e manipulação de mercado.

O Posicionamento dos Citados

As defesas e assessorias das partes mencionadas na operação manifestaram-se oficialmente após as buscas:

  • Acionistas de Referência: Declararam em nota terem sido “surpreendidos” pela ação. Afirmaram que o Conselho de Administração foi enganado e induzido ao erro pela antiga diretoria, mas ressaltaram que a operação faz parte do rito normal das investigações e que seguem colaborando com o Judiciário.

  • Itaú Unibanco: Esclareceu que o banco em si não é investigado. Reiterou que colabora ativamente fornecendo dados desde 2023 e destacou que sofreu prejuízos bilionários com o caso. O banco comprovou à Justiça que barrou tentativas da antiga gestão da Americanas de adulterar cartas de auditoria.

  • Santander & Bradesco: O Santander pontuou que está “ao lado das partes prejudicadas” e que mantém compromisso estrito com a transparência e regulação. O Bradesco informou que acompanha o caso e está totalmente à disposição das autoridades competentes.

  • Americanas: Esclareceu que a companhia não foi alvo de buscas nesta quinta-feira e que a ação foca nas irregularidades passadas trazidas a público em 2023. A empresa declarou ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

Cronologia do Escândalo Corporativo

O caso Americanas arrasta-se há mais de três anos e acumula desdobramentos complexos na Justiça brasileira:

Data Fato Relevante Impacto
Janeiro de 2023 Descoberta da fraude contábil Inconsistências de R$ 20 bilhões geram pedido de Recuperação Judicial.
Junho de 2024 1ª Fase da Operação Disclosure Foco em ex-diretores; ex-CEO Miguel Gutierrez é detido temporariamente na Espanha.
Março de 2025 Denúncia Formal do MPF 13 ex-executivos viram réus por manipulação de resultados e organização.
Junho de 2026 2ª Fase da Operação Disclosure Alvos expandem-se para acionistas controladores e grandes bancos; R$ 54 bilhões são bloqueados.

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