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Organizações criticam incentivo fiscal para data centers no Brasil

Projeto do Redata entra na pauta de votação do Senado com previsão de zerar impostos federais para big techs, levantando alertas sobre uso de água, energia e soberania de dados.

Por Lucas Pordeus León – Publicado em 01/09/2026 às 16:28 – Foto: Divulgação/Gov.Br

Diversas organizações da sociedade civil, sindicatos e movimentos sociais assinaram uma nota pública contra a votação do Projeto de Lei 278 de 2026, que estabelece o Regime Especial para Serviços de Data Center (Redata). A proposta, que já passou pela Câmara dos Deputados e entrou na pauta do Senado nesta semana, prevê a concessão de aproximadamente R$ 7,2 bilhões em incentivos e isenções fiscais para a instalação e ampliação de data centers de grandes empresas de tecnologia (big techs) em solo brasileiro.

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Entre as entidades que subscrevem o manifesto estão a Coalizão Direitos na Rede, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin) e a Rede pela Soberania Digital.

Incentivos e Exigências do Projeto Relatado pelo senador Cid Gomes (PDT-CE), o PL prevê a isenção de tributos federais na importação de componentes eletrônicos e de tecnologia de informação. As diretrizes do texto determinam:

  • Estimativa Fiscais: Isenção de R$ 5,2 bilhões em 2026 e R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos subsequentes.

  • Critérios Ambientais: Exigência do uso de energia de matriz renovável e índice de eficiência hídrica para resfriamento de até 0,05 litro/kWh por ano.

  • Contrapartidas Financeiras: Reinvestimento de 2% do valor dos produtos beneficiados em desenvolvimento nacional e reserva de 10% da capacidade dos data centers para o mercado interno.

Questionamentos e Alerta de Soberania A oposição ao projeto fundamenta-se na falta de debate amplo com a sociedade civil e na fragilidade das salvaguardas sociais e ambientais impostas. Os críticos ressaltam que data centers consomem volumes massivos de energia e água, transferindo os custos ambientais para a população sem garantir a autonomia do país.

As organizações argumentam que ter servidores instalados fisicamente no Brasil não equivale à soberania digital, sendo indispensável a criação de capacidade científica própria, governança rígida sobre dados e proteção dos recursos naturais estratégicos antes do repasse de privilégios tributários ao capital internacional.

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