Associação de menor investimento em insumos, estoques mundiais enxutos e ameaça do El Niño abre espaço para a valorização dos grãos e alívio financeiro para os agricultores na safra 2026/27.
Por Fernanda Pressinott / CNN Brasil — Publicado em 10/09/2026 às 09:02
A agricultura brasileira enfrenta um momento de forte transição para a safra 2026/27. Após anos marcados pela expansão acelerada da oferta, queda nos preços das commodities e compressão severa das margens de lucro, o cenário internacional e as condições climáticas começam a sinalizar uma mudança estrutural na relação entre oferta, demanda e rentabilidade.
Segundo análise apresentada por Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoria E&Y, os próximos meses ainda serão desafiadores para os produtores em função dos juros elevados — que saltaram do patamar de 3% para cerca de 15% ao ano —, da alta inadimplência e da consequente restrição de crédito pelo sistema financeiro. No entanto, a reação defensiva dos agricultores já altera a dinâmica do mercado.
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Insumos Contidos e Ameaça Climática
Diante da falta de liquidez, os produtores rurais vêm adotando estratégias de contenção de custos para a próxima temporada:
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Redução na Nutrição do Solo: Estimam-se quedas de 20% a 25% nas vendas de fertilizantes fosfatados, o que limita o potencial de produtividade das lavouras.
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Estoques Globais Menores: A decisão do mercado comprador de operar com estoques reduzidos em tempos de juros altos torna o sistema global altamente sensível a qualquer frustração de safra.
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Risco do El Niño: Previsões apontam para um El Niño de forte intensidade, reproduzindo um padrão similar ao de 2015, com risco de chuvas excessivas no Sul e estiagens severas nas regiões Norte e Nordeste (Matopiba).
Projeções de Quebra e Reação dos Mercados
Modelagens da consultoria E&Y indicam a possibilidade de uma quebra de até 12 milhões de toneladas na produção nacional de soja, dependendo da distribuição das chuvas ao longo do ciclo.
Essa ameaça de menor oferta global já se reflete nas bolsas internacionais, onde investidores não comerciais migraram de posições vendidas para compradas. A elevação nas cotações de soja e milho, embora benéfica para os grãos, deve elevar o custo da ração e pressionar os custos de produção na pecuária e avicultura.
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