Encontro fora da agenda oficial abre ciclo de consultas sobre conjuntura econômica e medidas para a dívida pública; anúncio de plano fiscal deve ocorrer após viagem internacional.
Por Jeniffer Gularte e Bernardo Lima (O Globo) — Publicado em 05/11/2026 14:02 – Foto: EVARISTO SA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião fora da agenda oficial, na manhã desta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, para discutir os rumos da economia e possíveis medidas de ajuste fiscal. O encontro contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do ex-ministro Fernando Haddad, além de ministros de estado, gestores públicos e economistas de orientação progressista.
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Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a reunião marca o início de uma fase de escuta ampliada conduzida por Lula, que pretende ouvir diferentes correntes do pensamento econômico e representantes do setor produtivo antes de bater o martelo sobre o pacote de contenção de gastos públicos.
Participantes e Ausência do Banco Central
A lista de participantes reuniu nomes do primeiro escalão do governo, ex-ministros e economistas convidados:
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Membros do Governo: Geraldo Alckmin (vice-presidente), Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior, Bruno Moretti, Esther Dweck (Gestão) e Aloizio Mercadante (presidente do BNDES).
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Integrantes e Convidados Especialistas: Fernando Haddad, Guido Mantega, Luciano Coutinho, Guilherme Melo (Planejamento), além dos economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não participou do encontro devido ao cumprimento do período de silêncio regulamentar imposto pelas regras do Copom — janela em que diretores e a presidência da autoridade monetária ficam proibidos de manifestar opiniões públicas sobre a taxa de juros e conjuntura econômica. A reunião ocorreu um dia após a manutenção da Taxa Selic no patamar de 13,75% ao ano.
Meta Fiscal, Dívida Pública e Pronunciamento
O debate econômico ocorre em um momento em que a dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em setembro, pressionada por custos financeiros e déficits primários.
Entre as propostas em análise no Poder Executivo, destaca-se a ampliação do mecanismo de contingenciamento do orçamento, permitindo que a gestão fiscal busque o centro da meta de resultado primário fixada na LDO para 2027 (superávit de 0,5% do PIB), em vez do limite inferior da faixa de tolerância.
O presidente Lula gravou pronunciamento de rádio e televisão com exibição prevista para o próximo domingo. Na fala, o chefe do Executivo abordará o compromisso com o equilíbrio fiscal e a trajetória sustentável da dívida pública, conciliando responsabilidade orçamentária com a preservação de programas sociais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que o pacote final de medidas fiscais deverá ser concluído e anunciado oficialmente após o retorno da comitiva presidencial da viagem oficial à Turquia, por ocasião das agendas preparatórias da COP 31.
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