A partir de junho, a vacina VPC20 substituirá a antiga VPC10 no calendário básico infantil e nos grupos de risco. A mudança dobra o número de sorotipos da bactéria prevenidos pelo SUS e visa conter a alta recente de casos graves de pneumonia e meningite bacteriana no país.
Por Tâmara Freire/Agência Brasil – Publicado em: 28 de maio de 2026 às 14:42 – Foto:Tomaz Silva
O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início, a partir do próximo mês de junho, à distribuição de um imunizante significativamente mais abrangente para combater a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20, conhecida como Pneumo 20) substituirá a antiga versão 10-valente (VPC10). Com a atualização, o total de sorotipos bacterianos prevenidos pela rede pública de saúde será duplicado.
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Como primeiro passo para a implementação, o Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar com diretrizes detalhadas para orientar médicos, enfermeiros e vacinadores. A aplicação prática começará de forma imediata em cada município assim que os lotes do novo imunizante forem descarregados nas secretarias locais de saúde.
O fenômeno de substituição bacteriana
A infecção provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo) pode evoluir de quadros leves, como otites e sinusites, para manifestações clínicas gravíssimas, incluindo pneumonia bacteriana, sepse e meningite. Estima-se que o agente infeccioso responda por até 50% dos diagnósticos de meningite bacteriana infantil, cuja taxa de letalidade orbita a casa dos 30%.
A introdução da VPC10 no calendário regular em 2010 reduziu em mais de 60% os casos graves associados aos dez sorotipos iniciais em crianças de até dois anos. Contudo, dados epidemiológicos recentes acenderam o sinal de alerta: a média anual de meningite pneumocócica em menores de cinco anos saltou de 164 casos (entre 2013 e 2019) para 211,3 diagnósticos registrados no período de 2022 a 2024.
De acordo com Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esse avanço estatístico decorre de um comportamento biológico natural conhecido como “replacement” (substituição de sorotipos). Ao frear a circulação dos dez tipos iniciais, outros subtipos da bactéria passaram a ocupar esse espaço ecológico. Levantamentos da vigilância nacional revelam que quase 40% das ocorrências graves mapeadas entre 2018 e 2023 foram causadas por apenas dois tipos específicos que não constavam na VPC10, mas que estão plenamente cobertos pela nova VPC20.
Esquema de transição nos postos de vacinação
Para garantir a segurança vacinal e evitar o desperdício de insumos, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabeleceu regras dinâmicas de transição para as crianças que estão com esquemas vacinais em andamento:
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Início de esquema: Crianças que tomarem a primeira dose a partir de junho já recebem a VPC20. A segunda dose será feita com a VPC10 e o reforço retorna com a VPC20.
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Esquema em andamento: Crianças que já iniciaram o tratamento com a primeira dose da VPC10 migrarão para a VPC20 na segunda dose e também no reforço de um ano.
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Esquema básico incompleto: Crianças menores de cinco anos que receberam apenas as duas doses iniciais da VPC10 no passado terão direito a receber uma dose de reforço exclusiva com a VPC20.
Além do calendário infantil de rotina (aplicado aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses), a VPC20 também passará a substituir as versões VPC13 e VPP23 ofertadas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) assim que os estoques atuais se esgotarem.
Essa linha especial atende indivíduos de alto risco biológico, como pessoas vivendo com HIV/Aids, pacientes oncológicos, transplantados, asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de Down, nascidos prematuros e portadores de cardiopatias, nefropatias ou pneumopatias crônicas. O imunizante só é contraindicado em casos de histórico de alergia grave (anafylaxis) a componentes da fórmula ou a doses prévias.
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