Combinação do aquecimento global nos mares com a consolidação do El Niño pressiona os reservatórios, reduz os níveis dos rios amazônicos e ameaça o calendário do agronegócio.
Por Portal do Agronegócio — Publicado em 10/09/2026 às 08:35 – Foto: Arafat Barbakh/Reuters
A temperatura média da superfície dos oceanos atinge nesta quinta-feira (10 de setembro) a marca histórica de 100 dias consecutivos em níveis recordes. O superaquecimento das águas marinhas ocorre simultaneamente ao avanço de um episódio do fenômeno El Niño com mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade “muito forte” até o final de 2026, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
No Brasil, a sinergia entre o calor retido nos oceanos e a alteração na circulação atmosférica promovida pelo El Niño já se reflete em secas extremas, queda no volume dos reservatórios e avanço dos focos de queimada.
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Mapeamento dos Impactos no Território Nacional
Os efeitos do cenário climático adverso atingem diferentes setores e biomas de forma heterogênea:
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Bacia Amazônica e Rios em Queda: O Rio Branco, em Boa Vista (RR), atingiu a marca crítica de 118 cm, ficando 130 cm abaixo da cota registrada no mesmo período de 2016. Reduções expressivas também atingiram os rios Purus, Solimões e Negro.
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Fogo Concentrado na Floresta: Embora o total nacional de focos de calor tenha recuado em setembro, a Amazônia passou a concentrar 64% dos incêndios do país, quase o dobro da proporção observada no mesmo período de 2025.
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Pressão nos Reservatórios: O subsistema elétrico Sudeste/Centro-Oeste registrou a sexta queda semanal consecutiva, recuando para 57,1% de capacidade. No Nordeste, a média dos reservatórios caiu para 48,6%.
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Desvios de Temperatura: Agosto encerrou com temperaturas acima da média na maior parte do país, com destaque para o Mato Grosso, que registrou anomalias térmicas superiores a 3°C.
Vulnerabilidade e Deslocamentos Humanos
O impacto do clima extremo sobre a população também se intensificou. O total de pessoas desalojadas ou desabrigadas por desastres no Brasil subiu para 522,6 mil no acumulado de 2026, um salto de 59% em relação ao ano anterior.
Para o setor agropecuário, o momento exige planejamento rigoroso no calendário de plantio, gestão hídrica eficiente e reforço nas medidas de prevenção a incêndios em fazendas.
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