Aprofundamento do desgaste institucional afeta contatos pessoais de magistrados, ameaça pauta de Edson Fachin e reconfigura maioria na Segunda Turma.
Por Márcio Falcão, Luiz Felipe Barbiéri, TV Globo — Brasília – Publicado em 16/09/2026 – 08:07 – Foto: Alejandro Zambrana/STF
A crise institucional instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) tende a se prolongar e está distante de uma solução pacífica, segundo avaliação reservada de integrantes da Corte. O desgaste gerado pela sessão extraordinária realizada para discutir o relatório da Polícia Federal (PF) envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro já produz reflexos na agenda institucional, com potencial de congelar a proposta de um Código de Ética idealizado pelo presidente do tribunal, ministro Edson Fachin.
O acirramento dos ânimos superou os debates jurídicos no Plenário e atingiu as relações pessoais entre os magistrados. Nos bastidores, relatos confirmam que o ministro Kassio Nunes Marques chegou a bloquear o número do ministro Gilmar Mendes em um aplicativo de mensagens após um desentendimento na última semana.
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Reconfiguração de forças na Segunda Turma
A crise no Supremo traz desdobramentos diretos para a tramitação de inquéritos ligados ao Caso Master. O relator das apurações, ministro André Mendonça, vinha contando com os votos de Nunes Marques e Luiz Fux para manter a maioria das decisões no âmbito da Segunda Turma.
Contudo, Nunes Marques declarou-se impedido de atuar na análise específica sobre Moraes após o vazamento de diálogos atribuídos a Daniel Vorcaro que citavam supostos repasses de R$ 500 mil ao seu filho — acusação categoricamente negada por ambos. Interlocutores do magistrado, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indicam que a declaração de impedimento restringiu-se aos aspectos eleitorais e não impedirá sua atuação nas demais vertentes do Caso Master, o que pode alterar o equilíbrio de forças na Segunda Turma.
Risco ao Código de Ética e impasse regimental
O clima de rivalidade interna ameaça paralisar a votação do Código de Ética do STF, medida idealizada por Fachin para vigorar após as eleições. Ministros insatisfeitos com a condução das sessões prometem dificultar o avanço de diretrizes formais sobre a conduta dos magistrados.
Paralelamente, o julgamento no Plenário sobre a unificação dos procedimentos contra Alexandre de Moraes e André Mendonça foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino. O placar momentâneo registrava 4 votos a 3 para manter a análise das condutas de forma separada. Com a interrupção, Dino dispõe do prazo regimental de até 90 dias para devolver o processo ao Plenário, prazo que se estende até o mês de dezembro.
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