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Moraes e Mendonça travam bate-boca no STF durante julgamento sobre o Caso Master

Atrito ocorreu durante julgamento ligado ao Caso Master e às mensagens de banqueiro a Moraes; episódio marca nova escalada na crise interna do Supremo.

Por Márcio Falcão, Ana Flávia Castro, Gustavo Garcia, Mariana Laboissière, Gabriella Soares, TV Globo e g1 — Brasília – Publicado em 15/09/2026 – 16:38 – Foto: Rosinei Coutinho/STF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram um duro bate-boca nesta terça-feira (15) durante sessão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O confronto verbal ocorreu durante a análise de processos decorrentes das investigações do Caso Master, expondo o aprofundamento da crise institucional entre os integrantes da Corte.

O embate teve início quando os ministros debatiam a atuação da Polícia Federal (PF) nos inquéritos e a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Moraes defendeu que a sua situação e a conduta de André Mendonça na relatoria do caso fossem analisadas em julgamento conjunto, acusando o colega de parcialidade na condução das apurações.

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Troca de acusações e citação à PF

Durante a sustentação no Plenário, Moraes questionou os colegas com a frase: “Quem tem medo da Polícia Federal?”. Prontamente rebatido por Mendonça, que afirmou não se tratar de medo, Moraes prosseguiu acusando o relator de pressionar autoridades policiais para incluir seu nome em acordos de colaboração premiada.

“Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam isso'”, declarou Moraes, sugerindo a convocação de policiais e advogados. André Mendonça rebateu seguidamente a afirmação classificando a acusação como “mentira”. Moraes acrescentou ainda que a atuação do colega buscava atender a um “grupo político que quis dar um golpe neste país”.

Em sua manifestação, Moraes classificou o relatório policial utilizado por Mendonça contra ele como “fraudulento”, enquanto defendeu que os documentos de inteligência por ele apresentados contra o relator foram elaborados formalmente por delegados da PF.

Origem da crise e decisão da Presidência

A tensão no STF se intensificou após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal. Os documentos apontaram a existência de 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, registros de encontros presenciais e a menção a um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Moraes criticou a divulgação dos dados, classificando-a como “seletiva”. Por sua vez, Mendonça sustentou que manteve em segredo apenas as informações imprescindíveis para o andamento das investigações e a proteção de terceiros. Paralelamente, os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, ao lado de Moraes, obtiveram acesso integral ao acervo digital extraído do telefone do banqueiro.

Diante do impasse e do clima acirrado no Plenário, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, optou pelo desmembramento dos julgamentos. A análise sobre a conduta e as mensagens envolvendo Moraes permaneceu na pauta desta terça-feira (15), enquanto as acusações direcionadas a André Mendonça foram agendadas para o dia 23 de setembro.

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