Sessão marcada por racha público na Corte contrapõe grupo que defende investigação a aliados do ministro que apontam nulidades processuais e pedem o arquivamento do caso.
Por g1/ Márcio Falcão — Publicado em 15/09/2026 às 08:18 – Foto: Gustavo Moreno/STF
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta terça-feira (15), uma sessão inédita e sob forte tensão institucional para deliberar sobre a abertura de apuração em relação à conduta do ministro Alexandre de Moraes. O julgamento ocorre em meio a um ambiente de racha público entre os magistrados, alimentado por uma crise de liminares, cobranças internas e divergências expostas nos últimos dias.
A turbulência no STF se intensificou desde a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) pelo ministro André Mendonça. O documento aponta o registro de 52 mensagens enviadas pelo empresário Vorcaro ao ministro Moraes. Desde então, os bastidores de Brasília foram marcados por reuniões reservadas, jantares e consultas telefônicas na tentativa de construir uma saída institucional para o impasse.
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Plenário Dividido e Estratégias em Jogo
A composição do plenário chega para o julgamento com posições consolidadas entre ao menos seis ministros, divididos em dois blocos opostos:
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Ala Pró-Investigação: Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques defendem que a gravidade das mensagens não pode ser ignorada. Essa ala aposta que o presidente da Corte, Edson Fachin, proporá algum tipo de apuração, voto que poderia ser acompanhado pela ministra Cármen Lúcia.
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Ala de Apoio a Moraes: Composta por Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, a ala aliada a Moraes pretende levantar “preliminares” processuais para barrar o avanço da apuração. Entre as teses estão a nulidade do relatório por falta de comunicação prévia à Presidência do STF, ilicitude de provas e falta de tempo hábil para análise dos dados.
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Posição da PGR: A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo arquivamento do relatório da PF, alegando irregularidades na sua elaboração e direcionamento por parte de Mendonça.
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Ausências Previstas: O ministro Dias Toffoli indicou a colegas que não participará do julgamento. Toffoli já se declarou suspeito anteriormente por ter sido sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort a um fundo ligado a Vorcaro.
Posicionamento e Alinhamento no Plenário do STF
| Bloco de Ministros | Integrantes Confirmados / Prováveis | Principal Argumento / Posicionamento |
| Favoráveis à Apuração | André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques | Gravidade dos fatos exige resposta institucional e investigação das mensagens |
| Contrários à Apuração | Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin | Vícios de origem no relatório da PF, nulidade de provas e atropelo processual |
| Indefinidos / Tendência | Edson Fachin (Relator/Presidente) e Cármen Lúcia | Possível proposta de apuração regimental ou encaminhamento mediador |
| Declaração de Suspeição | Dias Toffoli | Não votará devido a relações comerciais prévias com fundo associado a Vorcaro |
A definição sobre o futuro do processo permanece incerta, podendo inclusive ser adiada dependendo das questões de ordem apresentadas na abertura da sessão.
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