HomeSaúdeCâncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele

Câncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele

Boletim revela que tumores fora da pele, como o ocular e o mucoso, são altamente agressivos e letais; estudo defende a ampliação da imunoterapia no SUS e a compra centralizada de medicamentos de ponta.

Por Daniella Almeida (Agência Brasil) — Publicado em 15/09/2026 às 09:15 – Foto: Marcelo Camargo

A Fundação do Câncer lançou a 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, intitulada “Melanoma: nem sempre na pele”, chamando a atenção da sociedade e dos profissionais de saúde para as formas extracutâneas do tumor. Embora tenham origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), os melanomas também podem surgir em locais como olhos, mucosas orais e órgãos dos sistemas genital e digestório.

Apesar de menos frequentes que o melanoma cutâneo, as formas extrapele são acentuadamente mais agressivas, letais e propensas a metástases. Com base em dados do sistema info.oncollect, que avaliou 42.255 registros hospitalares no Brasil, os pesquisadores constataram que 92,2% dos casos ocorreram na pele, enquanto 5,7% foram oculares e 2,5% em mucosas. O olho respondeu por 75% de todas as ocorrências extracutâneas registradas.

09/09/2026 - Estudo da Fundação do Câncer destaca que melanoma nem sempre é na pele - Na foto Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo. Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação
Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo – Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação

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Desafios no Tratamento, Desigualdades Regionais e Imunoterapia

A cirurgia para remoção da lesão primária e dos linfonodos é a principal abordagem terapêutica, representando 84,7% do primeiro tratamento de melanoma de pele no SUS entre 2014 e 2023. O estudo apontou disparidades regionais: enquanto no Sudeste 89,6% dos pacientes iniciam o tratamento com cirurgia, no Norte a taxa cai para 64,4%. O Centro-Oeste registrou a maior taxa de deslocamento de pacientes fora da região de residência (20,2%), revelando um importante gargalo na assistência especializada.

  • Sintomas do Melanoma Ocular: Frequentemente assintomático no início, pode apresentar visão embaçada, flashes de luz, manchas no campo visual e perda gradativa da visão.

  • Revolução da Imunoterapia: A inclusão de medicamentos anti-PD-1 (como nivolumabe e pembrolizumabe) no SUS saltou a resposta clínica de pacientes com melanoma metastático de menos de 10% (na quimioterapia convencional) para até 70%.

  • Desafio do Custo: Para garantir o fornecimento contínuo desses tratamentos de alto custo no SUS, especialistas do estudo e do Instituto Nacional de Câncer (Inca) defendem parcerias para compras centralizadas pelo Ministério da Saúde e o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).

São Paulo (SP), 09/09/2026. - O coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Gélcio Mendes. Foto: Carlos Leite/INCA
O coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Gélcio Mendes – Foto: Carlos Leite/Inca

Panorama do Melanoma no Brasil (Dados do Boletim e do Inca)

Parâmetro / Indicador Melanoma Cutâneo (Pele) Melanoma Extracutâneo (Extrapele)
Principais Localizações Tronco (22,4%), Membros inferiores (19,1%) Olhos (75%), Genitais (12,8%), Digestório (8,2%)
Comportamento Clínico Agressivo, mas visível nos exames primários Altamente agressivo, assintomático no início
Incidência / Projeção 9.360 novos casos previstos (Triênio 2026/2028) Raro (representa ~8% do total dos melanomas)
Principal Tratamento Inicial Cirurgia de lesão e remoção de linfonodos (84,7%) Cirurgia e abordagens específicas (imunoterapia restrita)
Região com Maior Incidência Região Sul (44,4 casos por 1 milhão de habitante) Distribuído com barreiras de acesso no Norte/CO

 

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