Pesquisadoras apontam os perigos da manipulação por algoritmos e deepfakes na política e pedem avanço na educação midiática e na fiscalização das redes.
Por Iara Balduino – Publicado em 16/09/2026 – 08:21 – Foto: Rawpick/Freepick
A ampliação da regulação das plataformas digitais e o rigor na fiscalização do uso da Inteligência Artificial (IA) no ambiente político pautaram os debates do webinário Tecnologias, IA e Eleições, promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras. Durante o evento, especialistas defenderam a necessidade de conter a proliferação de desinformação e combater os impactos negativos das grandes empresas de tecnologia no processo eleitoral.
Para Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), os sistemas de recomendação automatizada limitam o debate público. A pesquisadora ressaltou a urgência de uma legislação que impeça a imposição de bolhas informacionais e coíba vieses discriminatórios nas plataformas.
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Algoritmos, grandes redes e monopólio das big techs
Outro aspecto ressaltado durante as exposições foi a concentração das discussões sobre os limites da IA nas mãos das grandes corporações tecnológicas (big techs), deixando em segundo plano as reais demandas coletivas da população.
A cofundadora da plataforma Blogueiras Negras, Larissa Santiago, enfatizou que, embora o Brasil possua parâmetros regulatórios relevantes em relação a outros países, a ausência de mecanismos eficientes de fiscalização e a escassez de iniciativas voltadas à educação midiática acentuam a vulnerabilidade da sociedade. De acordo com a especialista, a população tem enfrentado dificuldades substanciais para diferenciar conteúdos verídicos de simulações criadas por ferramentas computacionais.
Violência política de gênero, raça e manipulação eleitoral
As participantes alertaram ainda que a popularização de recursos como os deepfakes atua como catalisador de agressões virtuais, afetando prioritariamente minorias e figuras políticas femininas e negras.
Ao analisar o contexto histórico das campanhas de desinformação no país, Larissa Santiago citou os ataques sofridos pela ex-presidenta Dilma Rousseff durante o processo de impeachment em 2016. Na ocasião, imagens e matérias distorcidas circularam com ampla intensidade no debate público, mesmo antes do surgimento das atuais ferramentas generativas de inteligência artificial, evidenciando o potencial destrutivo da manipulação de conteúdo nas disputas eleitorais.
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