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Brasil não vai abandonar a mesa, afirma ministro Márcio Elias sobre negociações para evitar tarifas dos EUA

País corre contra o prazo de 15 de julho para reverter sanções americanas baseadas no Pix e no meio ambiente; integrantes do governo criticam politização do debate por parte da oposição.

Por Bruno de Freitas Moura — Repórter da Agência Brasil – Publicado em 02/07/2026 15:53 – Foto: Tomaz Silva

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil adotará uma postura de firmeza e insistirá no diálogo com o governo dos Estados Unidos para evitar a aplicação de tarifas alfandegárias extras sobre os produtos brasileiros. O país corre contra o relógio, uma vez que o prazo final fixado pelos americanos para o início da cobrança das taxas é o dia 15 de julho.

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A declaração ocorreu no Rio de Janeiro, logo após o ministro participar, de forma virtual, da quarta reunião de alto nível com a Representação Comercial dos EUA (USTR). A delegação brasileira contou ainda com técnicos do Ministério das Relações Exteriores e da assessoria especial da Presidência da República.

“Nunca abandone a mesa de negociação”, declarou Márcio Elias, reproduzindo a orientação direta dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Quem defende o multilateralismo, como o Brasil, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas”, complementou o titular do Mdic, que assumiu a pasta em abril após a saída de Geraldo Alckmin.

Alegações Americanas e a Defesa Brasileira

A ameaça de retaliação comercial partiu de uma investigação do governo de Donald Trump fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Washington acusa o Brasil de concorrência desleal e aponta, de forma inédita, o sistema de pagamentos instantâneos Pix como uma plataforma que supostamente prejudica empresas norte-americanas de cartões e transações financeiras. O Banco Central e o governo brasileiro rebatem veementemente o argumento.

Os americanos também utilizaram pautas ambientais para justificar as tarifas, citando o desmatamento e o comércio ilegal de madeira. Presente no evento no Rio, o ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, contestou os dados e blindou a produção nacional.

“O desmatamento está controlado e o país tem uma rede rígida de rastreamento que impede a exportação de madeira ilegal. O Ibama libera a exportação verificando toda essa cadeia de custódia, com todo o processo devidamente regulamentado e registrado”, certificou Capobianco.

Politização e Críticas à Família Bolsonaro

Durante coletiva de imprensa no 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido pelo BNDES, Márcio Elias Rosa lamentou que o debate técnico-comercial esteja sendo “poluído” por interesses partidários e eleitorais. Sem citar nomes diretamente, o ministro criticou as movimentações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais e em agendas nos EUA, onde chegaram a celebrar a imposição das barreiras contra o próprio país.

“Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas. Isso não tem cabimento”, disparou o chefe do Mdic.

O clima político esquentou ainda mais após o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comentar sobre uma carta pública enviada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao pré-candidato Flávio Bolsonaro. No documento, Rubio agradece um convite para colaborar com a equipe de transição de um eventual novo governo após as eleições de outubro. Para Mercadante, compartilhar dados estratégicos de desenvolvimento, defesa e energia com uma potência estrangeira “é uma afronta à soberania e aos interesses nacionais”.

Apesar das tensões, a reunião de hoje avançou em temas paralelos de cooperação bilateral, englobando a aproximação das polícias no combate ao crime transnacional, facilitação de imigração, atração de investimentos para data centers e proteção internacional de patentes.

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