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Crise no Parque São Jorge: MP-SP aciona Justiça e cobra afastamento de dirigente do Corinthians

Promotoria acusa o dirigente de usar recursos do clube para custear segurança pessoal e de familiares; pedido à Justiça inclui bloqueio de bens e proibição de frequentar o clube.

Por Andre Costa – Publicado em 15/09/2026 – 15:18 – Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou criminalmente o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, pelo crime de apropriação indébita. A acusação decorre do suposto uso irregular de recursos da instituição para custear a empresa de segurança privada Bear Security. Além do processo na esfera criminal, a Promotoria solicitou à Justiça o afastamento cautelar do dirigente de suas funções operacionais e administrativas no clube.

A denúncia formalizada pelo promotor Cássio Roberto Conserino aponta que o Corinthians repassou cerca de R$ 721 mil à empresa de segurança privada entre julho de 2025 e agosto deste ano. Na avaliação do Ministério Público, os serviços prestados não visavam à proteção institucional da entidade, mas atendiam diretamente a interesses pessoais de Stabile e de seus familiares.

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Medidas cautelares e bloqueio de bens

Junto à denúncia criminal, o Ministério Público formulou uma série de exigências cautelares contra o mandatário. O órgão pede a proibição de frequência de Stabile às dependências do clube e a suspensão imediata de qualquer atividade associativa ou de representação institucional.

Se a Justiça acatar a solicitação, Osmar Stabile ficará proibido de participar de reuniões, negociações e atos administrativos ligados ao Corinthians. As restrições propostas incluem a proibição de manter contato com testemunhas e demais dirigentes, além da obrigatoriedade de autorização judicial para deixar o país ou realizar viagens nacionais superiores a oito dias.

Para assegurar eventual reparação aos cofres do clube, a Promotoria solicitou o bloqueio de bens do dirigente. A cobrança envolve aproximadamente R$ 721 mil por danos materiais e cerca de R$ 541 mil por danos morais.

Argumentação da Promotoria e detalhes do contrato

O MP-SP destaca que o Corinthians já contava com contrato vigente com a empresa Unity Serviços Terceirizados para a segurança institucional. Por isso, a Promotoria sustenta que a contratação da Bear Security ocorreu com a finalidade de atuar na segurança pessoal do presidente.

Em declarações anexadas ao processo, o próprio dirigente referiu-se à atuação da empresa como “segurança VIP ao presidente” e confirmou que o repasse financeiro partia dos cofres do clube. Registros obtidos pelas investigações mostram funcionários da contratada acompanhando parentes de Stabile em compromissos particulares.

O Ministério Público apontou ainda que a Bear Security não possuía autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada, motivo pelo qual foi solicitada uma apuração específica junto ao órgão federal. Além disso, os pagamentos iniciaram-se em julho de 2025, enquanto o contrato formal só foi assinado em março do ano seguinte.

Posicionamento do Corinthians

Em sua defesa prévia durante as apurações, o Corinthians argumentou que a contratação possui respaldo no Artigo 119 do Estatuto Social, que autoriza despesas com serviços internos e eventuais, alegando também que o procedimento passou por análise de compliance.

O Ministério Público rejeitou a argumentação, ressaltando que o dispositivo estatutário permite apenas gastos direcionados às atividades operacionais do clube, vedando o financiamento de serviços particulares a gestores. O órgão acrescentou que o Estatuto proíbe qualquer tipo de remuneração pelo exercício da presidência.

Com o protocolo da denúncia, cabe à Justiça avaliar o recebimento da acusação. Caso a denúncia seja aceita, Osmar Stabile passará a responder formalmente na condição de réu em processo criminal.

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